
Há cerca de 20 anos, quando ainda respondia por SsangYong, o Actyon ousou misturar os conceitos SUV e coupé numa altura em que quase ninguém sabia muito bem o que fazer com a receita. Não teve o sucesso de propostas que chegaram depois, mas fica-lhe o mérito de ter antecipado uma moda que hoje parece não ter fim.
Duas décadas depois, regressa num contexto bem diferente. A sul-coreana SsangYong deu lugar à KGM, a imagem foi profundamente revista e o novo Actyon assume-se como uma espécie de versão mais familiar e sofisticada do Torres. Com 4,74 metros de comprimento, 1,91 m de largura e jantes de 20”, presença não lhe falta. A frente vertical, a assinatura luminosa inspirada na bandeira coreana e uma traseira muito larga ajudam a criar uma identidade própria. Ao vivo parece mais caro do que realmente custa.

Muito espaço
Por dentro, a evolução face aos antigos SsangYong é ainda mais evidente. O tablier horizontal, os dois ecrãs de 12,3” e a consola central elevada criam uma atmosfera moderna, quase premium à primeira vista. O espaço também não desilude, sobretudo atrás, onde dois adultos viajam com folga e o encosto pode ser reclinado.
Nem tudo convence da mesma forma. Há materiais agradáveis misturados com plásticos e aplicações decorativas menos felizes, mas a ergonomia é boa e tem um útil menu rápido de acesso direto aos principais comandos. Como não podia deixar de ser, contamos com a presença dos sistemas Apple CarPlay e Android Auto.
Os bancos em pele também são confortáveis e a posição de condução é boa, permitindo uma fácil adaptação a diferentes estaturas.

Finalmente, o motor certo
A verdadeira diferença está debaixo do capot. O 1.5 turbo a gasolina de 150 cv trabalha com um motor elétrico de 177 cv, para uma potência combinada de 204 cv. A bateria de 1,83 kWh não precisa, naturalmente, de ser ligada à tomada para ser carregada e a transmissão e-DHT encarrega-se de gerir automaticamente as diferentes formas de combinar os motores térmico e elétrico.
Na prática, o Actyon arranca e circula muitas vezes em silêncio e a resposta inicial é pronta, muito por culpa do motor elétrico. Quando se exige tudo, o quatro cilindros faz-se ouvir e o regime nem sempre acompanha de forma intuitiva aquilo que sentimos na velocidade. Nada que incomode numa utilização normal, em que a suavidade acaba por falar mais alto.
Com 1725 kg e tração dianteira, o Actyon não pretende ser um desportivo disfarçado nem tem grandes veleidades dinâmicas. A direção é leve, a suspensão privilegia o conforto e, mesmo com jantes de 20”, preserva uma qualidade de rolamento muito convincente. Se apertarmos com ele, a carroçaria inclina e a direção não é particularmente comunicativa, mas isso interessa menos do que a forma descontraída como cumpre quilómetros. Afinal, ninguém deverá comprar um Actyon para lutar contra o cronómetro ou ganhar “guerras” de semáforos.

6,3 l/100 km. Está (quase) tudo dito.
E foi precisamente ao longo de vários quilómetros em percurso misto que o híbrido mais nos convenceu. Num trajeto de 343,8 km que combinou estradas nacionais com cidade registámos 6,3 l/100 km, com 61 km/h de média. Noutro, de 195,2 km, com maior predominância de autoestrada, o computador indicou 6,7 l/100 km. Estes são valores muito próximos dos 5,9 l/100 km homologados e, mais importante, perfeitamente aceitáveis para um SUV deste tamanho, peso e potência.
O preço de tabela começa nos 46 425,97€ para o K3 e sobe aos 48 925,97€ no K5, acrescendo 650€ para a pintura metalizada. Mas há uma variável que muda bastante a conversa: a campanha atualmente em vigor coloca o Actyon HEV K3 nos 37 990€ chave na mão, já com pintura metalizada e despesas de preparação e legalização incluídas. É válida até 30 de setembro para clientes particulares e unidades em stock em Portugal Continental.
É aqui que o Actyon começa verdadeiramente a fazer sentido. Não é o mais refinado do segmento, nem o mais divertido de conduzir, e há pormenores de interface e acabamento com evidente margem de progressão. Mas oferece espaço, equipamento, conforto, uma imagem suficientemente distinta para não desaparecer no parque de estacionamento e, finalmente, uma mecânica híbrida que faz sentido. Uma aposta ganha da sul-coreana KGM.
Artigo por Rui Reis
