
Uma das características mais polémicas, e visualmente mais marcantes, do Polestar 4 era a ausência de vidro traseiro. No novo Polestar 4 SUV, ele está de volta. E não regressa sozinho. A marca sueca aproveitou a criação desta nova variante para redesenhar toda a secção posterior, ganhar espaço, aumentar a versatilidade e transformar o Polestar 4 num automóvel mais convencional na utilização diária, sem lhe retirar aquilo que o tornou diferente.
Não se trata, porém, de colocar simplesmente uma traseira mais vertical no Polestar 4. A intenção é ocupar de forma mais clara um dos segmentos mais disputados do mercado, o dos SUV executivos elétricos, mantendo a combinação de design escandinavo, tecnologia e performance que tem definido a marca.
Uma traseira que muda tudo
Visto de frente, é imediatamente reconhecível como um Polestar 4. Mantêm-se os faróis divididos em duas lâminas e as superfícies limpas. É a partir do pilar C que tudo começa a mudar.
A linha do tejadilho prolonga-se de forma mais horizontal e a porta da bagageira é bastante mais vertical. O novo modelo conserva os 4,84 metros de comprimento e praticamente três metros de distância entre eixos do sedan, crescendo apenas ligeiramente em altura.

O efeito no interior é mais significativo. Os passageiros traseiros beneficiam de mais 2,5 cm de espaço para a cabeça e o tejadilho panorâmico estende-se praticamente até à porta da bagageira. Em opção, pode recorrer a tecnologia eletrocrómica, permitindo controlar eletricamente a entrada de luz e até escurecer zonas específicas da superfície envidraçada.
As barras longitudinais reforçam a vertente prática e permitem transportar até 100 kg em andamento. E, desta vez, há vidro traseiro e um espelho retrovisor convencional. Quem preferir a solução digital que se tornou uma das assinaturas do Polestar 4 coupé pode continuar a escolhê-la em opção.
Mais espaço, sem aumentar o carro
A grande razão de ser do Polestar 4 SUV está atrás dos bancos posteriores. A bagageira oferece 530 litros quando medida até aos encostos e 655 litros aproveitando a altura até ao tejadilho. Com os bancos traseiros rebatidos na proporção 60/40, a capacidade pode chegar aos 1665 litros.
Por dentro mantém-se o minimalismo habitual da Polestar. O ecrã central horizontal continua a concentrar grande parte das funções e passa a disponibilizar mais atalhos personalizáveis. A iluminação ambiente, inspirada no sistema solar, permite criar diferentes atmosferas, enquanto os materiais utilizados incluem soluções de origem biológica, PET reciclado e, em opção, pele Nappa.

Até 544 cv e 630 km de autonomia
A base técnica mantém-se, com uma bateria de 100 kWh e duas configurações mecânicas.
A versão Rear Motor utiliza um único motor elétrico sobre o eixo traseiro, com 272 cv e 343 Nm. Acelera dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos e anuncia até 630 km de autonomia segundo o ciclo WLTP.
Acima dela encontra-se a Dual Motor, com tração integral, 544 cv e 686 Nm. Neste caso, são necessários apenas 3,9 segundos para chegar aos 100 km/h, enquanto a autonomia anunciada é de 600 km.
O carregamento rápido em corrente contínua pode atingir 200 kW, permitindo recuperar dos 10 aos 80% da bateria em cerca de 30 minutos. Em corrente alternada estão disponíveis potências que podem chegar aos 22 kW.
Para quem dá particular importância ao comportamento dinâmico existe ainda um Performance Pack. Não acrescenta potência, mas inclui amortecedores ativos ZF com calibração específica, travões Brembo de alto desempenho com pinças Swedish Gold, jantes de 22 polegadas e pneus Pirelli P Zero.
Não deixa de ser um SUV grande e pesado, mas a Polestar insiste que a precisão da direção e o controlo dos movimentos da carroçaria continuam a fazer parte do caráter do modelo.

Energia para levar para fora do carro
Entre as novidades encontra-se a funcionalidade Vehicle-to-Load, ou V2L, que permite utilizar a bateria do automóvel para fornecer eletricidade a equipamentos externos.
Através de um adaptador específico, o sistema pode disponibilizar até 3,3 kW de potência a 230 V, suficientes para alimentar computadores, ferramentas elétricas ou equipamento de campismo. O condutor pode definir antecipadamente qual o nível mínimo de bateria que pretende conservar para prosseguir viagem.
A funcionalidade articula-se com o novo Modo Camping. Com o automóvel parado, é possível manter climatização, iluminação ambiente e entretenimento ativos, transformando o Polestar 4 SUV num espaço de apoio para uma noite ao ar livre.
Inteligência artificial a bordo
A experiência digital dá também mais um passo em frente com a integração do Google Gemini. Em vez dos tradicionais comandos de voz, o sistema permite utilizar linguagem mais natural e manter conversas com contexto ao longo de vários pedidos.
O Polestar 4 SUV mantém ainda uma forte aposta nos sistemas de assistência à condução, recorrendo a cinco radares, cinco câmaras e 12 sensores ultrassónicos. Cruise control adaptativo, assistência à manutenção na faixa, monitorização do ângulo morto e sistemas de travagem automática fazem parte do arsenal tecnológico disponível.

A partir de 55.600 euros
O Polestar 4 SUV é produzido em Busan, na Coreia do Sul, e as primeiras entregas estão previstas para o último trimestre de 2026.
Em Portugal, os preços começam nos 55.600 euros para o Rear Motor e nos 58.600 euros para o Dual Motor. Com Performance Pack, o valor sobe para 67.400 euros.
O Polestar 4 SUV não pretende substituir o coupé, mas dar ao cliente uma segunda interpretação da mesma ideia. Uma mais ousada na forma, outra mais racional na utilização. E consegue fazê-lo sem transformar a segunda numa versão simplesmente mais aborrecida da primeira.
Para um SUV familiar capaz de percorrer até 630 km, transportar quase dois metros de carga e chegar aos 100 km/h em 3,9 segundos, isso talvez seja o argumento mais importante de todos.
Artigo por Rui Reis
