
O número 9 chega finalmente à gama Audi. Não numa berlina de representação, como talvez se pudesse esperar, mas no maior SUV alguma vez construído pela marca. O novo Q9 posiciona-se acima do Q7 e do Q8, assume o papel de modelo de referência dos quatro anéis e combina até sete lugares com um habitáculo pensado para viajar.
Com 5,31 metros de comprimento, 2,21 metros de largura, 1,81 metros de altura e uma distância entre eixos de 3,14 metros, é um automóvel que não procura disfarçar a escala. A dianteira vertical, dominada pela grelha Singleframe, transmite uma presença formal, enquanto as portas traseiras amplas, o habitáculo direito e a longa secção posterior revelam a prioridade concedida ao espaço interior.
A versão Advanced, proposta de série, apresenta lâminas verticais na grelha e uma imagem mais sóbria. A S line acrescenta para-choques de desenho mais expressivo e uma presença ligeiramente mais desportiva. As jantes variam entre 20 e 23 polegadas, sendo que os pneus de 22 e 23 polegadas recebem inserções de espuma acústica destinadas a reduzir o ruído de rolamento.

Sete lugares pensados para serem utilizados
O interior é o verdadeiro centro do projeto. De série, o Q9 oferece sete lugares distribuídos por três filas, com regulação elétrica e uma segunda fila dividida na proporção 35/30/35. Os três bancos centrais dispõem de fixações Isofix, algo particularmente útil para famílias com mais do que duas crianças pequenas.
Os bancos posteriores podem ser rebatidos a partir da bagageira, simplificando a transformação do habitáculo quando é necessário transportar objetos maiores. A cobertura da bagageira pode ainda ser guardada sob o piso quando todos os lugares estão ocupados.
Para quem não necessita de sete lugares, a Audi propõe uma configuração de Audi propõe uma configuração de seis. O banco corrido central dá lugar a dois bancos individuais com regulação elétrica, criando um ambiente mais próximo do de uma sala executiva. É provavelmente esta versão que melhor traduz a ambição do Q9 enquanto alternativa aos automóveis de representação tradicionais.
O Q9 estreia na Audi portas automáticas, capazes de abrir e fechar através de diferentes comandos ou remotamente a partir da aplicação myAudi. Um conjunto de sensores acompanha o movimento e interrompe-o caso detete uma pessoa ou um objeto no percurso.
A sensação de espaço é reforçada pelo maior teto panorâmico alguma vez instalado num Audi. Incluído de série, apresenta mais de 1,5 metros quadrados de superfície envidraçada e pode ser aberto ou inclinado.

Três ecrãs, mas uma utilização mais simples
À frente do condutor encontra-se o ecrã panorâmico MMI, formado pelo Audi virtual cockpit de 12,3 polegadas e por um ecrã central OLED de 14,5 polegadas. O passageiro dianteiro recebe, de série, um terceiro ecrã de 12,3 polegadas.
O sistema de som Bang & Olufsen disponível no Q9 conta com 22 altifalantes e 1360 watts de potência. Quatro dos altifalantes estão integrados nos encostos de cabeça dianteiros, permitindo transmitir indicações de navegação ou chamadas telefónicas sem incomodar os restantes ocupantes.
Existem ainda atuadores nos bancos dianteiros, capazes de produzir vibrações sincronizadas com a música e reforçar fisicamente as frequências mais baixas. A Audi chama-lhe som 4D. Na prática, algumas faixas deixam de ser apenas ouvidas e passam também a ser sentidas através do banco.
Iluminação que comunica
Na traseira surge uma das principais inovações técnicas do Q9: painéis OLED digitais curvos, aplicados pela primeira vez num automóvel de produção. O vidro utilizado tem apenas 0,1 milímetros de espessura, permitindo que os elementos luminosos acompanhem a forma da carroçaria.
À frente, os faróis Digital LED Matrix recorrem a módulos micro-LED para produzir uma distribuição luminosa de elevada resolução. Podem projetar avisos relacionados com o ângulo morto, a saída involuntária da faixa ou a presença de gelo, além de adaptar a iluminação em zonas de obras e destacar peões junto à estrada.

Um V6 diesel de 299 cv
No lançamento, o Audi Q9 estará disponível com um motor V6 TDI de três litros, 299 cv e 630 Nm de binário. Está associado a uma caixa automática tiptronic de oito velocidades e à tração integral permanente quattro.
O motor recorre a um sistema mild hybrid MHEV plus, composto por uma bateria de fosfato de ferro-lítio, um alternador-motor de arranque e um gerador integrado na transmissão. Este último pode fornecer até 24 cv adicionais nos arranques e nas ultrapassagens, permitindo também pequenas fases de condução elétrica. Há ainda um compressor elétrico destinado a melhorar a resposta em regimes baixos, reduzindo o intervalo entre a pressão no acelerador e a entrega efetiva de binário.
A Audi anuncia um consumo combinado entre 7,4 e 8,0 l/100 km, com emissões de CO₂ entre 194 e 209 g/km. Valores respeitáveis para um SUV desta dimensão, embora deixem claro que o Q9 não pretende esconder o peso nem a escala atrás da designação híbrida.
A suspensão pneumática adaptativa faz parte do equipamento de série. Combina amortecimento continuamente variável com uma altura ao solo ajustável, permitindo adaptar o Q9 a diferentes tipos de piso e estilos de condução.
Artigo por Rui Reis
