
Com 207 kW, equivalentes a 281 cv, e 345 Nm de binário, o Opel Corsa GSE torna-se o modelo de produção mais potente da história do utilitário alemão. A aceleração dos 0 aos 100 km/h é cumprida em 5,5 segundos, valor que faz deste pequeno elétrico o automóvel de série com a aceleração mais rápida da atual gama Opel.
A apresentação ao público terá lugar em Portugal, durante o Caramulo Motorfestival, entre 4 e 6 de setembro, antes de uma nova aparição no Salão Automóvel de Paris, em outubro. A chegada ao mercado está prevista para o final do ano, embora a marca ainda não tenha divulgado preços, capacidade da bateria, autonomia ou potência máxima de carregamento.
Mais do que potência em linha reta
A Opel não se limitou a instalar um motor elétrico mais potente no Corsa. Para conferir ao GSE um comportamento compatível com os números anunciados, desenvolveu um conjunto técnico específico, centrado na capacidade de colocar os 281 cv no solo através das rodas dianteiras.
Um dos elementos mais relevantes é o diferencial autoblocante Torsen de discos múltiplos, uma solução pouco habitual entre utilitários elétricos e destinada a melhorar a motricidade à saída das curvas. O chassis foi rebaixado e recebeu eixos, barras estabilizadoras e amortecedores hidráulicos próprios, enquanto a direção e a resposta dos pedais foram recalibradas para esta versão.

A travagem fica a cargo de um sistema Alcon com pinças dianteiras de quatro êmbolos, preparado para lidar com o aumento de potência e com a massa inerente à propulsão elétrica. Segundo a marca, a relação peso-potência é de 181 cv por tonelada, um dado que ajuda a colocar em perspetiva o desempenho do novo modelo.
No exterior, o Corsa GSE distingue-se através de para-choques específicos, elementos aerodinâmicos próprios e jantes de liga leve de 18 polegadas. O habitáculo segue a mesma orientação, com bancos desportivos, cintos de segurança amarelos e ecrãs digitais capazes de apresentar informações relacionadas com o desempenho.
Não se trata, portanto, apenas de uma versão visualmente mais agressiva. O diferencial autoblocante, os travões reforçados e a suspensão desenvolvida para o modelo revelam a intenção de criar um automóvel capaz de explorar estradas sinuosas, e não apenas de impressionar num arranque de semáforo.
Uma linhagem iniciada em 1988
A sigla GSE significa atualmente Grand Sport Electric, mas a ligação às versões desportivas do Corsa começou muito antes da eletrificação. Em 1988, o primeiro Corsa GSi apresentou-se com apenas 820 kg, motor atmosférico de 1,6 litros, 100 cv e uma velocidade máxima de 188 km/h.

Os números parecem modestos quando comparados com os 281 cv do novo GSE, mas o baixo peso e as dimensões compactas garantiam-lhe uma personalidade muito própria. A Opel complementou o motor com molas mais rígidas, amortecedores específicos, barras estabilizadoras e travões dianteiros ventilados de maiores dimensões.
Seguiram-se o Corsa B GSi 16V, lançado em 1993 com 109 cv, e o Corsa C GSi de 2001, equipado com um motor de 1,8 litros e 125 cv. Este último já ultrapassava os 200 km/h e acelerava até aos 100 km/h em nove segundos.
Em 2007, a designação OPC — Opel Performance Center — elevou significativamente a fasquia. O Corsa D OPC chegou com 192 cv e 266 Nm, antes de dar origem à Nürburgring Edition, com 210 cv, suspensão Bilstein, travões Brembo e uma velocidade máxima de 230 km/h.
A última interpretação desta fórmula com motor de combustão surgiu em 2015. O Corsa E OPC utilizava um bloco turbo de 1,6 litros com 207 cv e 280 Nm, acompanhado por bancos Recaro e suspensão com amortecimento seletivo em função da frequência. Era rápido, expressivo e suficientemente prático para continuar a ser utilizado diariamente.

É precisamente esse equilíbrio entre desempenho e utilização quotidiana que o novo Corsa GSE pretende recuperar. A diferença está na forma como entrega a potência: sem mudanças de caixa, sem atraso do turbocompressor e com o binário disponível de imediato.
Esta transformação também levanta novas questões. Num hot hatch tradicional, o som do motor, a utilização da caixa de velocidades e a progressão das rotações fazem parte da experiência. Num elétrico, o envolvimento terá de surgir sobretudo da precisão da direção, da eficácia do chassis e da capacidade de explorar a potência sem que a eletrónica elimine toda a participação do condutor.
A ficha técnica sugere que a Opel compreende esse desafio. O diferencial Torsen e os travões Alcon são componentes com uma função concreta, enquanto a afinação específica da suspensão poderá fazer a diferença entre um elétrico simplesmente rápido e um verdadeiro desportivo compacto.
O Corsa GSE representa, mesmo assim, um passo importante para a Opel. Em vez de abandonar a tradição dos pequenos desportivos, a marca procura transportá-la para a era elétrica. O motor mudou, a sigla evoluiu e os valores de desempenho atingiram um patamar inédito. Resta descobrir se, atrás do volante, continua presente aquela combinação de simplicidade, agilidade e carácter que tornou os antigos Corsa GSi e OPC tão especiais.
Artigo por Rui Reis
