
A pesca está a retirar dos oceanos mais do que eles conseguem regenerar. E as frotas de pesca industrial deslocam-se para zonas cada vez mais remotas, como águas internacionais ou territórios de países com regulações frágeis.
No coração do Pacífico Sul, a Greenpeace intercetou uma embarcação industrial de bandeira espanhola e retirou do mar 20 quilómetros de palangre — uma linha de pesca flutuante armada com centenas de anzóis — utilizada para capturar, de forma indiscriminada, grandes espécies marinhas. Entre os animais libertados estavam tubarões-mako, em perigo de extinção, tintureiras e espadartes ainda vivos. Outros, sem a mesma sorte, foram documentados já mortos.
O palangre é uma das ferramentas mais destrutivas da pesca moderna: uma corda com milhares de anzóis suspensos, lançada ao mar para capturar peixe de alto valor comercial. O problema? A baixa seletividade. Esta arte de pesca apanha de tudo — desde atuns e espadartes a tartarugas, aves e tubarões em risco — comprometendo ecossistemas inteiros num só lance.
Segundo a ONU, 37% das populações de peixes estão atualmente sobreexploradas. A equação é simples: a pesca está a retirar dos oceanos mais do que eles conseguem regenerar. Impulsionadas por subsídios estatais, as frotas de pesca industrial deslocam-se para zonas cada vez mais remotas, como águas internacionais ou territórios de países com regulações frágeis, perpetuando um ciclo predatório.
Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que terá lugar em Nice, a Greenpeace alerta para o imobilismo político. Até agora, apenas 31 países ratificaram o Tratado Global dos Oceanos, quando são necessários 60 para que possa entrar em vigor e permitir a criação de santuários marinhos em alto mar.
A organização pede um compromisso claro: proteger, pelo menos, 30% dos oceanos até 2030. Para isso, é essencial um plano concreto, financiamento justo e vontade política.
O tempo de ignorar os sinais acabou. Se queremos oceanos vivos, temos de travar esta destruição enquanto ainda há vida para proteger.
