
Um estudo da associação Zero concluiu que nenhuma das 15 escolas analisadas em Lisboa cumpre os níveis de qualidade do ar recomendados pela Organização Mundial de Saúde. A exposição prolongada à poluição está associada a problemas respiratórios, alterações no desenvolvimento e milhares de mortes infantis na Europa todos os anos.
Quando pensamos na saúde das crianças, é comum dar atenção à alimentação, ao exercício físico ou ao tempo passado em frente aos ecrãs. Mas há um fator menos visível que acompanha os mais novos todos os dias: a qualidade do ar que respiram.
Uma campanha de monitorização realizada pela associação Zero em 15 escolas de Lisboa concluiu que todas apresentam concentrações de dióxido de azoto (NO₂) superiores aos níveis considerados seguros pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O poluente está fortemente associado ao tráfego automóvel e é um dos principais indicadores da qualidade do ar nas cidades.
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente (EEA, Agência Europeia do Ambiente), as crianças são particularmente vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica desde a fase pré-natal até à adolescência. O organismo encontra-se em desenvolvimento, a frequência respiratória é mais elevada do que nos adultos e a maior proximidade ao solo aumenta a exposição a determinados poluentes.
As consequências podem manifestar-se de várias formas. Entre os efeitos associados à poluição do ar encontram-se o baixo peso à nascença, infeções respiratórias, agravamento da asma, diminuição da função pulmonar e impactos que podem acompanhar a pessoa ao longo da vida adulta.
Segundo a Agência Europeia do Ambiente, a poluição atmosférica está associada à morte de cerca de 1.200 crianças por ano na Europa.
Os resultados obtidos pela ZERO ajudam a perceber como o problema se manifesta no quotidiano. A escola com maior concentração de dióxido de azoto registou 57,8 µg/m³, valor muito acima dos 10 µg/m³ recomendados pela OMS para exposição prolongada. Mesmo a escola com melhor resultado apresentou 20,2 µg/m³, o dobro do valor recomendado.
Outro dado relevante é a relação entre tráfego e poluição. Quanto maior o número de vias de circulação junto à entrada da escola, maiores tendem a ser os níveis de dióxido de azoto registados. Trata-se de uma ligação já amplamente documentada pela literatura científica e observada em várias cidades europeias.
É por isso que especialistas e organizações ambientais defendem medidas que reduzam a presença de veículos nas imediações dos estabelecimentos de ensino. Entre as soluções mais utilizadas encontram-se as chamadas “Ruas Escolares”, que limitam ou suspendem o tráfego motorizado nos horários de entrada e saída dos alunos.
Além da redução da exposição aos poluentes, estas iniciativas podem aumentar a segurança rodoviária, incentivar deslocações a pé ou de bicicleta e criar espaços urbanos mais agradáveis para crianças e famílias.
