A Jaguar revelou agora, pela primeira vez, o interior do seu novo GT elétrico de quatro portas, antecipando um automóvel que será apresentado integralmente em Nova Iorque, a 6 de outubro. E, se o exterior já tinha deixado claro que a marca britânica está disposta a romper com a própria linguagem recente, o habitáculo confirma que esta mudança vai muito além da carroçaria.
O elemento que imediatamente define o espaço é uma espinha central que percorre longitudinalmente todo o habitáculo. Mais do que uma consola, funciona como uma peça de arquitetura interior, separando visualmente o carro em quatro lugares individuais.
É uma solução que transfere para a produção uma ideia habitualmente reservada aos concept cars e que, ao mesmo tempo, contraria uma das tendências dominantes nos automóveis modernos: painéis de bordo cada vez mais horizontais e dominados por grandes superfícies digitais.
No Type 01, a Jaguar escolheu outra direção.

Quatro lugares, um espaço muito próprio
A posição de condução é baixa, com o habitáculo a desenvolver-se em torno do condutor. Segundo a marca, o objetivo foi criar uma sensação simultaneamente envolvente e capaz de transmitir confiança, recuperando de certa forma aquela relação física entre homem e máquina que sempre caracterizou os grandes GT da Jaguar.
Essa abordagem percebe-se também no desenho do painel de bordo, deliberadamente estreito. Alguns elementos gráficos prolongam visualmente as linhas do capot para dentro do habitáculo, procurando apagar a fronteira entre exterior e interior e fazer com que ambos sejam lidos como uma única composição.
Travertino em vez do habitual preto
Também a escolha de materiais procura afastar o Type 01 da fórmula habitual dos interiores premium.
A paleta de cores foi inspirada na pedra travertina, enquanto diferentes superfícies procuram reproduzir a riqueza táctil dos têxteis artesanais. A peça central longitudinal recebe um acabamento inspirado no latão, solução que reaparece na zona superior das portas e percorre grande parte do comprimento do habitáculo.
Nestas peças surge ainda o tradicional Jaguar Leaper, uma das referências mais diretas à identidade histórica da marca num interior que, de resto, procura claramente olhar em frente.

O resultado apresentado nas primeiras imagens aposta em tons claros, volumes simples e grandes superfícies contínuas. Há poucos elementos visuais a interromper o espaço, uma decisão coerente com aquilo a que a Jaguar chama a sua filosofia de “modernismo exuberante”.
A expressão pode parecer contraditória, mas ajuda a compreender a intenção: reduzir o número de elementos sem reduzir a sensação de ocasião.
Tecnologia quando é necessária
Talvez a decisão mais interessante esteja precisamente na forma como a Jaguar aborda a digitalização.
Depois de anos em que a indústria automóvel transformou o tamanho e o número de ecrãs numa espécie de competição, o Type 01 procura integrar a tecnologia na própria arquitetura do habitáculo.
As interfaces digitais são apresentadas como sistemas disponíveis “on demand”, surgindo quando são necessárias em vez de permanecerem constantemente no centro das atenções. O infotainment está integrado no painel e vários compartimentos e funções permanecem ocultos até serem utilizados.

Ao centro, junto à base do para-brisas, encontra-se um ClearSight Rear View Display digital, colocado aproximadamente à mesma altura visual dos retrovisores exteriores. A posição pretende reduzir os movimentos do olhar do condutor e facilitar a leitura da informação sem desviar excessivamente a atenção da estrada.
Antes da apresentação definitiva em outubro, o protótipo fará a sua estreia norte-americana durante a Monterey Car Week, com uma decoração exterior específica, culminando numa presença no Pebble Beach Concours d’Elegance a 16 de agosto.
Artigo por Rui Reis

