
A nova versão Calligraphy Black Ink parte do já muito equipado IONIQ 9 Calligraphy e acrescenta-lhe uma série de elementos específicos, essencialmente visuais e de acabamento, que lhe conferem uma identidade mais vincada. Não pretende transformar o carácter do modelo, mas antes explorar uma interpretação mais sofisticada do enorme SUV elétrico de três filas de bancos.
Por fora, a diferença está nos detalhes. O emblema Hyundai dianteiro recebe acabamento em preto mate, surgem novas jantes de liga leve de 21 polegadas, exclusivas desta versão, e a traseira ganha um elemento decorativo em preto brilhante.
É sobretudo porque o IONIQ 9 parte de uma base estética pouco convencional. A Hyundai chama-lhe “Aerosthetic”, uma combinação entre preocupações aerodinâmicas e formas suaves, quase arquitetónicas, que procura dar a um SUV de grandes dimensões uma aparência menos pesada do que seria de esperar.
No Black Ink, essa carroçaria pode ser encomendada apenas em duas cores: Serenity White Pearl ou Abyss Black Pearl. Na primeira, os elementos escuros criam contraste; na segunda, praticamente desaparecem na carroçaria e dão ao IONIQ 9 uma presença quase monolítica.

Uma espécie de lounge em movimento
É no habitáculo, porém, que a filosofia Black Ink se torna mais evidente.
Os bancos são revestidos em pele Nappa preta, o volante recebe igualmente pele preta e o painel de instrumentos integra elementos em alumínio verdadeiro com acabamento escuro. O objetivo não é criar um interior desportivo, apesar da utilização extensiva do preto, mas preservar aquela sensação de lounge tecnológico que constitui uma das características mais interessantes do IONIQ 9.
E espaço não falta.
Construído sobre a plataforma elétrica E-GMP do Hyundai Motor Group, o IONIQ 9 foi concebido desde o início como um automóvel de grandes dimensões, com três filas de bancos e particular atenção ao espaço disponível para os passageiros.
É precisamente aqui que este Hyundai se afasta de muitos SUV elétricos que procuram justificar o preço através da performance. No IONIQ 9, o luxo está tanto na tecnologia como na possibilidade de transportar seis ou sete pessoas com elevados níveis de conforto.
Nas configurações de seis lugares associadas ao nível Calligraphy, a Universal Island 2.0 acrescenta versatilidade à consola central e reforça essa ideia de habitáculo pensado mais como espaço de utilização do que como um cockpit tradicional.
O luxo segundo a Hyundai
Durante décadas, a marca construiu a sua reputação essencialmente através da relação entre preço, equipamento e fiabilidade. A eletrificação mudou consideravelmente esse posicionamento. Modelos como o IONIQ 5 mostraram que a Hyundai podia assumir riscos no design, enquanto automóveis como o IONIQ 6 demonstraram uma abordagem pouco convencional à aerodinâmica.
O IONIQ 9 leva essa estratégia para outro território: o dos grandes SUV elétricos premium.
A nova versão não altera a fórmula técnica do automóvel nem procura transformar o modelo através de mais potência ou de uma configuração particularmente radical. O Black Ink funciona antes como um acabamento mais exclusivo aplicado ao topo da gama.
Num automóvel desta dimensão e ambição, a exclusividade nem sempre precisa de significar mais. Por vezes significa apenas escolher melhor os materiais, retirar algum ruído visual e deixar que as proporções façam o resto.

Exclusivo também na disponibilidade
O Hyundai IONIQ 9 Calligraphy Black Ink será lançado progressivamente em vários mercados europeus, seguindo os calendários locais da marca.
Há, contudo, uma má notícia para quem já imaginava um exemplar em Abyss Black Pearl na garagem: neste momento, a Hyundai não prevê comercializar esta versão em Portugal.
É pena. Porque, num automóvel criado para demonstrar até onde pode chegar atualmente a Hyundai em matéria de espaço, tecnologia e luxo elétrico, o Black Ink parece ser precisamente a versão que melhor assume esse novo estatuto.
Artigo por Rui Reis


