
A smart cresceu, diversificou a sua gama e aventurou-se por segmentos que, há alguns anos, dificilmente associaríamos à marca. Mas, pelo caminho, perdeu o automóvel que a tornou conhecida. Agora, quase três décadas depois do lançamento do primeiro fortwo, a marca regressa às origens com o novo smart #2, um citadino de dois lugares, exclusivamente elétrico, que recupera uma fórmula que continua a fazer todo o sentido nas cidades atuais.
Apresentado no Salão Automóvel de Paris, o novo modelo já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 19.990 euros e as primeiras entregas previstas para meados de 2027. Um regresso há muito aguardado, sobretudo por quem continua a valorizar as vantagens de um automóvel verdadeiramente pequeno, numa altura em que até os citadinos parecem querer crescer.

Pequeno por fora, surpreendente por dentro
Com apenas 2,75 metros de comprimento, o smart #2 mantém a silhueta característica do fortwo, com as rodas colocadas junto aos extremos da carroçaria, uma distância entre eixos de 1,88 metros e uma configuração pensada para aproveitar o espaço disponível.
A vocação urbana continua a ser o seu principal argumento. Com um diâmetro de viragem de apenas 6,95 metros, o novo smart promete sentir-se particularmente à vontade nas ruas estreitas, nas manobras apertadas e, naturalmente, nos lugares de estacionamento onde outros automóveis dificilmente cabem.
Apesar das dimensões exteriores, o habitáculo procura oferecer uma sensação de espaço pouco habitual neste formato. Os bancos apresentam um desenho visualmente contínuo, enquanto o tablier, com uma configuração em S, integra um ecrã central de 10,1 polegadas e um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas. A conectividade inclui 4G, Wi-Fi e Bluetooth, acompanhados por um pacote de serviços conectados durante oito anos.
A bagageira, com abertura bipartida, oferece 305 litros de capacidade, um valor interessante para um automóvel com menos de três metros de comprimento e apenas dois lugares.

Elétrico, naturalmente
O novo smart #2 foi desenvolvido sobre a plataforma Electric Compact Architecture (ECA), especificamente concebida para este modelo, e mantém a tração traseira que sempre fez parte da identidade do pequeno citadino.
O motor elétrico desenvolve 82 cv e 130 Nm de binário, suficientes para cumprir os 0 aos 100 km/h em 11,6 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 140 km/h. Números que não impressionam numa ficha técnica, mas que parecem perfeitamente ajustados à utilização para a qual foi concebido.
A bateria de 35,8 kWh, com química de fosfato de ferro-lítio (LFP), permite anunciar uma autonomia combinada de até 290 quilómetros, segundo o ciclo WLTP, e um consumo médio de 13,6 kWh/100 km. São ainda valores provisórios, dependentes da homologação final.
Em termos de carregamento, todas as versões suportam até 65 kW em corrente contínua, permitindo recuperar dos 10% aos 80% da bateria em cerca de 20 minutos, em condições ideais. Em corrente alternada, a versão Pure dispõe de um carregador de 7,4 kW, enquanto as restantes oferecem 11 kW, reduzindo o tempo anunciado para a mesma operação de cinco para três horas.

Mas há mais tecnologia por detrás deste pequeno automóvel. A suspensão traseira independente de cinco braços, uma solução pouco habitual neste segmento, pretende assegurar um compromisso mais convincente entre estabilidade, conforto e comportamento dinâmico. A nova célula de segurança Tridion Cell Evo, os sete airbags e um conjunto de sistemas de assistência à condução, incluindo o cruise control adaptativo com função Stop & Go, completam uma proposta que não pretende fazer concessões à segurança só porque é pequena.
Quatro formas de estar na cidade
A gama está organizada em quatro versões, começando pela Pure, disponível a partir de 19.990 euros. Apesar de representar a porta de entrada, inclui um conjunto significativo de equipamentos de segurança e assistência à condução, faróis LED e a funcionalidade Vehicle-to-Load (V2L), que permite alimentar dispositivos elétricos externos compatíveis através de um acessório específico.
Por mais mil euros, a Pure+ acrescenta o carregador de bordo de 11 kW e o banco do condutor aquecido. A Premium, proposta a partir de 24.490 euros, dá maior importância ao conforto e à personalização, com tejadilho panorâmico fixo, bancos aquecidos revestidos em material sintético, volante aquecido, iluminação ambiente com 256 cores e um sistema de som Sennheiser com sete colunas.

No topo surge a Couture Edition, uma série especial limitada a 999 unidades para a Europa e com preço de lançamento de 25.690 euros. A pintura Atelier White Matte, o tejadilho Platinum Gold, os apontamentos dourados e as jantes específicas de 16 polegadas conferem-lhe uma personalidade própria, complementada por um habitáculo com acabamentos exclusivos e identificação numerada.
O interesse foi, aliás, suficiente para esgotar, em apenas duas semanas, todas as unidades desta edição especial disponibilizadas nos mercados europeus onde foi comercializada.
O novo smart #2 chega, assim, num momento particularmente interessante. Numa indústria onde os automóveis continuam a crescer e a multiplicar funcionalidades, a marca recupera uma ideia simples: um carro não precisa de ser grande para responder às necessidades de quem o conduz. E, para muitos automobilistas, sobretudo nos grandes centros urbanos, ter apenas dois lugares e ocupar pouco espaço continua a ser uma vantagem difícil de substituir.
Artigo por Rui Reis
