
Doze organizações de ambiente e sustentabilidade pedem ao Governo e aos municípios medidas urgentes para proteger as populações das ondas de calor, incluindo uma rede nacional de refúgios climáticos.
O calor extremo é uma “emergência de saúde pública” e Portugal precisa de acelerar a adaptação das cidades às temperaturas elevadas. O alerta é deixado por 12 organizações de ambiente e sustentabilidade, que entregam ao Governo uma carta aberta com seis propostas para tornar os espaços urbanos mais preparados para as ondas de calor.
Entre as medidas está a criação de uma rede nacional de refúgios climáticos. A proposta prevê que todos os municípios identifiquem e disponibilizem espaços públicos e privados acessíveis, como bibliotecas, piscinas, jardins ou outros equipamentos, onde a população possa encontrar proteção durante episódios de calor extremo.
As organizações defendem também que cada município deve elaborar um plano anual de implementação das medidas de adaptação ao calor e fazer um balanço regular da execução dos respetivos Planos Municipais de Ação Climática.
A proteção das populações mais vulneráveis é outra das prioridades. As autarquias devem identificar e apoiar pessoas idosas isoladas, pessoas sem-abrigo e trabalhadores expostos a temperaturas elevadas, entre outros grupos de risco.
A carta defende ainda a renovação energética dos edifícios e, quando necessário, a instalação de sistemas de climatização ativa em creches, infantários, centros de dia, lares e unidades de cuidados continuados.
Nas cidades, as organizações pedem um aumento significativo das áreas verdes e das zonas de sombra, sobretudo junto de escolas, parques infantis, paragens de transportes públicos e locais com elevada circulação pedonal. A adaptação dos edifícios e do espaço público, incluindo através de coberturas verdes e de medidas de eficiência energética, é igualmente apontada como essencial para reduzir as temperaturas urbanas.
Os subscritores consideram os planos municipais de adaptação climática um “passo fundamental” para aumentar a resiliência das comunidades perante ondas de calor e outros fenómenos climáticos extremos. Para acelerar a sua implementação, defendem que o Governo deve criar uma linha de apoio específica.
As organizações lembram que as ondas de calor são o fenómeno climático mais mortal na Europa e citam dados segundo os quais a mais recente vaga de calor provocou mais de 1.300 mortes no continente. Portugal já registou seis ondas de calor este ano, segundo a carta.
Além do impacto na saúde, as temperaturas extremas representam também custos económicos significativos. Apesar de Portugal já dispor de legislação e instrumentos de adaptação, as organizações consideram que o principal problema está na “velocidade da implementação”.
Entre os subscritores estão organizações como a Geota, Quercus, Zero, Greenpeace Portugal e WWF Portugal, além da Rede Portuguesa de Embaixadores do Pacto Climático Europeu.
