
Já está disponível a segunda edição deste Petrichor, um vinho singular de João Portugal Ramos, um vinho de curtimenta. Apesar do estranho nome Petrichor trata-se apenas de evocar essa experiência sensorial, numa referência às palavras gregas petros, pedra, e ichor, o mítico fluido que corre nas veias dos deuses.
Dois pesquisadores australianos, Isabel Joy Bear e Richard Grenfell Thomas são os criadores desse termo surgido, pela primeira vez em 1964 num artigo publicado na revista Nature, descrevendo-o como o aroma derivado de um óleo produzido por certas plantas durante períodos de seca, que é então absorvido pela terra e por pedras argilosas (Wikipedia).
Durante a chuva, o óleo desprende-se no ar juntamente com outro composto, a geosmina, produzindo um cheiro característico. Em uma continuação do artigo publicada em 1965, Bear e Thomas demonstraram que o óleo retarda a germinação de sementes e a fase de crescimento inicial das plantas.
Este vinho de curtimenta é um Single Vineyard, produzido a partir de uma vinha com 22 anos, situada a 320 metros de altitude, em solos de xisto e com orientação Este-Oeste.
A colheita de 2025 resulta de um ano agrícola particularmente exigente. Depois de um início de ciclo seco, a primavera trouxe precipitações acima da média e temperaturas amenas, criando desafios à viticultura. O verão trouxe períodos de calor intenso e seca, com impacto no rendimento e na dimensão dos bagos. Ainda assim, a vindima revelou uvas de elevada qualidade,
capazes de originar vinhos de intensidade aromática, equilíbrio e frescura.
É na adega que esta matéria-prima encontra uma interpretação igualmente diferenciadora. As uvas de Arinto e Verdelho são vindimadas manualmente nas primeiras horas da manhã, colocadas em pequenas caixas e arrefecidas antes da vinificação, preservando a sua frescura.
Após uma seleção criteriosa, são desengaçadas e suavemente esmagadas, seguindo para cubas ovais de cimento de 3.000 litros.
O processo decorre com contacto pelicular, assumindo então a identidade de um vinho de curtimenta. Depois da fermentação alcoólica, o vinho permanece em maceração pós fermentativa durante sete meses, um período determinante para o desenvolvimento da sua complexidade e estrutura.
O resultado é um vinho de ligeira tonalidade âmbar, complexo e expressivo. No copo, surgem aromas que remetem para a memória da chuva sobre a terra seca, acompanhados por fruta de caroço, casca de laranja e mel. Seco, com boa acidez e taninos provenientes do prolongado contacto pelicular, termina longo e persistente.
Petrichor – Single Vineyard 2025
DOC Alentejo · Arinto & Verdelho · 12,5% vol.
Engarrafado em abril de 2026 · Edição limitada a 1.700 garrafas.
PVP: 32,99€
