Quinta de Ventozelo vence, pelo segundo ano consecutivo, o Concurso Tomate Coração de Boi do Douro, que registou a maior participação de sempre. Na quinta do Mourão, Lamego, voltou a fazer-se a festa que reúne produtores, chefs e entusiastas de diferentes origens em torno do fruto-rei do verão.
Como transformar o Tomate Coração de Boi do Douro num ativo económico do território foi o tema do debate no encerramento, ontem, do Concurso Tomate Coração de Boi do Douro (TCBD) reuniu à mesa da conversa João Gonçalves, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), Carlos Coelho, profissional do marketing e especialista na construção e gestão de marcas, e Antonina Barbosa, diretora geral da Falua, empresa que detém a Quinta do Mourão, a anfitriã da edição de 2026.
“Ser capaz de transformar produtos em marca e valor exige qualidade intrínseca do produto e capacidade de o mostrar e de construir uma ideia muito sedutora na cabeça dos outros”, começou por lembrar Carlos Coelho. O que significa, explicou, “trabalhar a ciência” de modo a garantir que o TCBD tem “um pilar de qualidade imbatível” e, depois, saber “contar a história”, valorizá-lo enquanto produto raro e de nicho.
Vencer a “primeira década” foi um grande desafio, acrescentou, agora “é tempo de fazer a marca coletiva”, de dar ao Douro e a Portugal “o grande tomate das pequenas hortas”.
João Gonçalves, presidente da CIM Douro, reforçou a importância de “olharmos para os produtos endógenos do Douro”, além do vinho, de trabalhar em rede, agregando diferentes agentes económicos, e de “afirmar o que é distintivo na região”. Reconheceu que a certificação do TCBD “é um caminho que é preciso percorrer”, lembrando que o envolvimento da CIM neste projeto “traduz a vontade” manifestada pelos 19 municípios de criar mais valor no Douro: “Um produto só é ativo territorial quando gera valor para além da transação e consegue agregar agricultura, restauração, alojamento, comércio, turismo, cultura, notoriedade”.
Festa prossegue em Arroios e nos restaurantes
À Quinta de Ventozelo, vencedora da noite, juntaram-se a Quinta de Medim (2º lugar) e Quinta do Crasto (3º lugar). A iniciativa reuniu bom tomate coração de boi de 28 produtores da região, a maior participação de sempre. Ao júri, presidido por Francisco Pavão, nome de referência na promoção de produtos do território do Douro e Trás-os-Montes, coube a seleção do melhor fruto deste verão, tendo em conta critérios como aroma, sabor, textura e harmonia.
A festa Tomate Coração de Boi do Douro (TCBD) continuou no dia seguinte, sábado, 22 de Agosto, na aldeia de Arroios, às portas de Vila Real. Integrando o Projeto Capella, a iniciativa teve uma prova de tomate, azeite e flor de sal no interior da capela barroca do século XVIII, seguindo-se o mercadinho de produtos locais, com TCBD, vinhos e outros sabores tradicionais, petiscos, artesanato e música.
Este ano alargado a todos os municípios da região do Douro, o festival Tomate à mesa (a)gosto todo conta com a participação de mais de 30 restaurantes, reforçando a oferta de propostas para saborear o tomate coração de boi na sua plenitude. No âmbito desta iniciativa, durante todo o mês de Agosto, os restaurantes de referência da região incluem nas suas ementas pratos inspirados no tomate.


