Proveniente de uma parcela histórica da Quinta dos Muros, composta por vinhas com cerca de 50 anos e 29 castas identificadas, o M7 inaugura um novo capítulo de um vinho criado pela primeira vez em 2016 que foi reconhecido pela crítica internacional.
Depois de lançar os seus primeiros vinhos de autor em 2024, a Quinta dos Muros reforça o seu portefólio com o lançamento do M7 Unique Vineyard Parcel, agora sob a tutela dos irmãos Pedro e João Mansilha Branco, aliado à mestria do enólogo Jorge Alves.
Proveniente de uma parcela histórica da propriedade, composta por vinhas com cerca de 50 anos e 29 castas identificadas, o M7 inaugura um novo capítulo e, embora esta seja a primeira edição apresentada pela empresa Quinta dos Muros, a história do vinho começou na vindima de 2016, quando a família Mansilha ainda possuía a Quinta do Portal (que em 2024 foi vendida à Fladgate Partnership, uma holding que já possuía outras quintas e que até então só se dedicava à produção de Vinho do Porto, passando a partir daí a entrar também no mercado dos vinhos tranquilos).
Voltemos ao M7: Depois dessa edição de 2016 nasceram as edições de 2017 e 2019, com destaque para a de 2017, distinguida com 95 pontos e integrada, em 2024, no Top 100 Cellar Selections da Wine Enthusiast. Depois foram anos em branco até chegarmos a 2024.
A história do nascimento da parcela M7 também é muito curiosa, porque na sua origem esteve uma parcela com videiras inicialmente destinadas à replantação, nasceu. O potencial demonstrado pelas uvas levou à decisão de preservar integralmente a vinha, transformando esta parcela numa das mais emblemáticas da propriedade.
Com uma produção limitada a 987 garrafas e 91 magnum, a colheita de 2024 chegou recentemente ao mercado, com um PVP recomendado de 120 euros.
Situada entre os 440 e os 490 metros de altitude, a parcela M7 é composta por oito patamares de vinhas com uma idade média de cerca de 50 anos, onde coexistem 29 castas diferentes, predominando a Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Carvalha e Mourisco, juntamente com as castas brancas Gouveio e Chasselás (uma casta pouco conhecida em Portugal, e que tanto é usada como uva de mesa, como para fazer vinho. A origem da casta de uva Chasselas, gera algumas controvérsias, por alguns especialistas presumirem ser esta uma das castas mais antigas cultivadas pelo homem, presumindo-se isso, porque em pinturas de túmulos datadas do ano 5.000 AC no antigo Egito, surge uma forma de folha e cor semelhante ada Chasselas. Sabe-se que, no início do século XX a Chasselas predominava nos cantões de Vaud, Genebra e Neuchâtel, bem como na Suíça de língua alemã.
A Chasselas não é uma videira poderosa e invasiva, semdo, pelo contrário subtil e delicada.
A importância desta parcela está documentada na própria história da família. Num manuscrito datado de 1905, Francisco Júlio d’Araújo Mansilha destacava já a qualidade das vinhas dos Muros e a necessidade de as preservar e cuidar. “Mais de um século depois, continuamos a acreditar que o maior património da Quinta dos Muros está nas suas vinhas. O M7 é a expressão desse legado”, afirma Pedro Mansilha Branco.
Na apresentação do M7 foram também provados o Quinta dos Muros Rosé e o Quinta dos Muros Blanc de Noirs.
O Rosé é um vinho muito agradável, com aromas a dirigirem-nos para os frutos vermelhos (Tinta Roriz), com notas vegetais que lembram uma sebe acabada de cortar.
Na boca, mostra uma acidez bem presente, que evolui para uma frescura envolvente.
Em relação ao Branco de Noirs, nasceu da vontade da família Mansilha em ter um vinho branco (sem ter na quinta as uvas para o fazer). A partir da Tinta Roriz, fizeram uma prensagem muito ligeira (inferior a 0,2 bar) para obter o vinho de lágrima – numa relação de 2000kgs de uva para 600 litros de mosto. Cerca de 40% do vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês e o restante em cubas de inox a uma temperatura entre os 13 e 15º.
No aroma apresenta notas cítricas, maçã verde e sugestões florais, com notas tostadas provenientes do estágio em barrica.
Na boca mostra-se fresco, com textura sedosa, muito equilibrado, terminando num final longo e lambareiro.
Do M7 fizeram-se 987 garrafas e 91 magnums. Preço de venda indicado pelo produtor é de 120 euros.
Do Blanc de Noirs 2025 fizeram-se 4930 garrafas e o PVP é de 20 euros.
Do Rosé 2025 fizeram-se 4000 garrafas com um PVP 15 euros
Uma pequena nota sobre a Quinta dos Muros
As primeiras referências conhecidas à Quinta dos Muros datam de 1881, ano do casamento entre Francisco Júlio d’Araújo Mansilha e Emília Teixeira de Sampaio, a cuja família pertencia esta propriedade.
Dêmos a voz a Pedro Mansilha Branco (refira-se que na apresentação do M7 quem fez as honras da casa foi o seu irmão João, embora o pai de ambos, Eugénio Branco também estivesse presente ) : “Curiosamente ele era irmão da nossa trisavó Guilhermina Mansilha, e ela irmã do nosso trisavô José Teixeira de Sampaio. Francisco, apaixonado pela viticultura, enamorou-se pelos “Muros” e defendeu nas suas notas, num manuscrito sobre viticultura que: “Quem souber tratar os vinhos dos “Muros” há de se convencer, por exames e comparações que faça, que os não há melhores no nosso país.”
Após o seu desaparecimento, a Quinta foi herdada pelas sobrinhas com menos vocação para a viticultura, tendo havido uma estagnação no seu desenvolvimento, que viria a tomar novo fôlego quando finalmente passou para as mãos do nosso avô Manuel José Teixeira de Sampaio Mansilha, também ele um apaixonado pela Quinta dos Muros, e que desesperava para poder tirá-la do marasmo em que se encontrava: “a Quinta dos Muros há de ser minha, nem que seja apenas para lá por um lampião”!
Com a morte do nosso avô em 1973, a Quinta passou para os nossos pais –
Eugénio Branco e Isabel Mansilha -, e a partir de 1975, começou um desafiante trabalho de plantação de vinha nas parcelas existentes e parcelas contíguas entretanto adquiridas, até atingirmos os 45 hectares atuais de área total, dos quais 23 hectares são de vinha.
A partir de 1974 também iniciamos o envelhecimento de Vinhos do Porto nos
armazéns da Quinta, que a partir de 1994 começaram a entrar nos lotes dos
Portos Portal. Até então, os “vinhos finos” que eram produzidos nos lagares da Quinta eram vendidos a granel”.
A Quinta dos Muros, situada na encosta nascente do vale do rio Pinhão, divide-se entre as freguesias de Vale de Mendiz e Favaios.
É composta por 21 parcelas, em socalcos e patamares, localizadas entre 230 e 520 metros de altitude, com as vinhas expostas a Norte, Sul e Poente.
Com excepção de algumas videiras de castas brancas que encontramos em
parcelas mais antigas de “field blend”, apenas existem na Quinta dos Muros variedades de uvas tintas, com algumas parcelas estremes de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão.
Predominam, no entanto, as parcelas com mistura de castas, que no caso da
parcela M7, chega às 29.
Também o olival da Quinta dos Muros tem dado origem a azeites reconhecidos (e que também tivemos ocasião de provar) e que agora surgem, com total justiça, com a marca própria.
No ecossistema da Quinta cabem ainda vários hectares de mata mediterrânica, onde o sobreiro ocupa lugar destacado.
A família Mansilha é ainda proprietária da Quinta da Manuela de Cima, propriedade contígua à Quinta dos Muros, com 11 hectares tudo vinha.




