
O GPL é, provavelmente, a razão mais óbvia para escolher este Renault Symbioz. Mas, depois de o conduzirmos, não é a primeira coisa que nos vem à cabeça. Lembramo-nos sobretudo do conforto, da forma como a suspensão lida com os pisos mais degradados e dos bancos, que tornam as viagens mais agradáveis. A economia de combustível acaba por ser um excelente complemento a um conjunto que já tinha bons argumentos para convencer.
Com 4,41 metros de comprimento, o Symbioz posiciona-se entre o Captur e o Austral, procurando conciliar as dimensões de um SUV relativamente compacto com o espaço e a versatilidade que se exigem a um automóvel de aptidões mais familiares. Não procura destacar-se pela exuberância do desenho, mas apresenta proporções equilibradas e uma imagem suficientemente moderna para continuar a parecer atual durante alguns anos.
A chegada da motorização Eco-G 120 acrescenta-lhe um argumento importante, sobretudo para quem percorre muitos quilómetros e procura reduzir os custos de utilização sem ter de recorrer à eletrificação.

O conforto merece, naturalmente, destaque
Foi um dos aspetos que mais nos agradou neste Symbioz. A suspensão apresenta uma afinação particularmente bem conseguida, absorvendo com eficácia as irregularidades do piso e proporcionando uma experiência de condução bastante descontraída. Mesmo com as jantes de 18 polegadas da versão techno que ensaiámos, o conforto nunca deixou de ser uma das suas melhores qualidades.
Os bancos também merecem uma referência positiva, sobretudo pelo conforto que proporcionam nas deslocações mais demoradas. A posição de condução elevada facilita a perceção do trânsito envolvente e a disposição dos comandos permite uma adaptação rápida.
O habitáculo é moderno, funcional e apresenta uma qualidade de construção adequada ao segmento, embora alguns plásticos, sobretudo nas zonas inferiores, pudessem ter um aspeto mais cuidado.
Atrás, o espaço disponível é suficiente para uma utilização familiar, ainda que três adultos não encontrem as melhores condições para realizar viagens prolongadas. Em contrapartida, o banco traseiro deslizante, com um curso de 16 centímetros, permite ajustar o espaço disponível às necessidades de cada momento, privilegiando a habitabilidade ou aumentando a capacidade da bagageira, que varia entre os 478 e 610 litros.
Mais potência, mas falta uma caixa automática
O novo motor Eco-G 120 é uma unidade de três cilindros, com 1,2 litros, turbocompressor e injeção direta, desenvolvendo 120 cv e 200 Nm de binário. Face à anterior geração Eco-G 100, representa um aumento de 20 cv e 30 Nm, uma evolução bem-vinda num automóvel com as dimensões e o peso do Symbioz.
Não é uma motorização particularmente “desportiva”, nem tem essa pretensão. Os 12 segundos anunciados para cumprir os 0 aos 100 km/h demonstram que a prioridade está na eficiência, embora a potência disponível seja suficiente para uma utilização familiar sem grandes exigências. Nas recuperações mais difíceis, é necessário recorrer à caixa de velocidades, sobretudo quando precisamos de realizar uma ultrapassagem ou enfrentar uma subida mais acentuada.
No entanto, a transmissão manual de seis velocidades cumpre a sua função, mas confessamos que gostaríamos de encontrar aqui uma alternativa automática, preferencialmente de dupla embraiagem. Até porque o novo Clio Eco-G 120 já disponibiliza uma caixa EDC.
Num automóvel que aposta tanto no conforto e na facilidade de utilização, esta possibilidade faria todo o sentido, especialmente para quem passa boa parte dos dias no trânsito urbano. Não é propriamente um defeito da transmissão manual, mas uma opção que sentimos falta na gama.

E os consumos?
Aqui está, naturalmente, um dos principais argumentos desta versão. Num percurso composto por aproximadamente 50% de cidade, 40% de estradas extraurbanas e apenas 10% de autoestrada, terminámos o ensaio com uma média de 7,8 l/100 km a GPL e 6,4 l/100 km a gasolina.
São valores bastante razoáveis, tendo em conta as características do percurso realizado, e relativamente próximos dos anunciados pela Renault, que homologa 7,2 l/100 km a GPL e 5,9 l/100 km a gasolina para esta versão.
O consumo de GPL foi cerca de 22% superior ao da gasolina, algo perfeitamente normal devido ao menor conteúdo energético deste combustível por litro. Mas a diferença de preço entre os dois combustíveis permite compensar largamente este aumento.
Para termos uma ideia, considerando os preços médios nacionais de 6 de novembro de 2026, de 1,077 euros por litro de GPL e 2,051 euros para a gasolina simples 95, os nossos consumos traduzem-se num custo aproximado de 8,40 euros por cada 100 quilómetros a GPL, contra 13,13 euros a gasolina.
Uma poupança próxima dos 36%, ou cerca de 4,73 euros a cada 100 quilómetros, que pode representar aproximadamente 945 euros ao fim de 20 mil quilómetros, admitindo os mesmos preços e consumos e uma utilização exclusivamente a GPL.

Há ainda a autonomia. O Symbioz dispõe de um depósito de gasolina de 48 litros e outro de GPL com 50 litros úteis, permitindo alcançar, segundo a Renault, até 1500 quilómetros sem abastecer. Com os consumos que registámos, a autonomia teórica combinada aproximar-se-ia dos 1390 quilómetros.
A passagem de GPL para gasolina é automática quando o depósito de gás fica vazio, embora o condutor também possa escolher manualmente o combustível. E como o sistema é instalado de fábrica, com o depósito de GPL no espaço normalmente destinado à roda sobresselente, mantém-se a funcionalidade da bagageira.
O preço também conta
A relação preço/equipamento é outro dos argumentos deste Symbioz. A gama Eco-G 120 começa nos 28 140 euros, enquanto a configuração techno que tomámos como referência apresenta um preço de 30 340 euros.
Por este valor, encontramos uma dotação bastante completa, que inclui jantes de liga leve de 18 polegadas, instrumentação digital de 10,3 polegadas, sistema multimédia openR link com ecrã central de 10,4 polegadas e Google integrado, ar condicionado automático, carregamento de smartphone por indução e cartão Renault mãos-livres.

O equipamento contempla ainda regulador de velocidade adaptativo inteligente, câmara de marcha-atrás e sensores de estacionamento dianteiros, traseiros e laterais.
Não faltam, portanto, argumentos para justificar a escolha. O Symbioz não é o automóvel mais entusiasmante de conduzir, nem pretende sê-lo. Mas oferece conforto, espaço, equipamento e custos de utilização muito interessantes.
Só lamentamos que a Renault não disponibilize uma caixa automática nesta motorização, que reforçaria ainda mais a sua vocação familiar. De resto, este Symbioz Eco-G 120 tem tudo para agradar a quem valoriza um automóvel confortável, prático e económico. E, nos dias que correm, não é pouco.
Artigo por Rui Reis


