
A Cidade do Zero regressa este fim de semana a Lisboa com mais de 100 atividades, uma microquinta, mercado de trocas, oficinas de reparação, provas de vinhos e showcookings. A entrada é gratuita e o objetivo é mostrar que sustentabilidade também se constrói através de escolhas simples do dia a dia.
E se uma cidade pudesse ser construída à escala de um parque para mostrar, durante dois dias, como seria viver de forma mais sustentável? É essa a proposta da Cidade do Zero, que regressa este fim de semana, 19 e 20 de setembro, para a sua quarta edição, desta vez no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
Depois de ter reunido cerca de 25 mil visitantes em 2024, o evento ocupa agora uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados e apresenta mais de 100 atividades, distribuídas por quatro palcos e diferentes espaços. A entrada é gratuita e a ideia passa menos por falar de sustentabilidade em abstrato e mais por mostrar como pode ser aplicada em diferentes momentos da vida quotidiana.
É possível, por exemplo, aprender a reparar uma peça de roupa, perceber o que acontece aos resíduos, trocar objetos que já não se utilizam, conhecer formas diferentes de produzir alimentos ou descobrir a biodiversidade existente no próprio espaço urbano.
Uma quinta no meio de Lisboa
Uma das novidades desta edição é uma microquinta de permacultura, criada pela HortasLX. O espaço inclui uma horta, um galinheiro móvel, um pomar e uma área de compostagem. A proposta ajuda a tornar mais visível uma das ideias associadas à sustentabilidade: a relação entre aquilo que consumimos e a forma como os alimentos são produzidos.
Ao longo do fim de semana haverá visitas guiadas e workshops. No sábado, às 10h30, o workshop “Horta em Permacultura em Vaso” mostra como aplicar alguns destes princípios mesmo quando não existe um terreno agrícola disponível. Há também uma sessão dirigida às crianças, às 13h00.
Comprar menos pode ser também uma forma de comprar melhor
O Mercado da Cidade do Zero reúne cerca de 100 marcas nacionais ligadas a diferentes áreas, da moda e cosmética à decoração, joalharia, universo infantil e produtos para animais.
Os projetos presentes têm de cumprir pelo menos um de vários critérios relacionados com produção ética, impacto social, circularidade, gestão de resíduos ou utilização de matérias-primas recicladas.
Mas a lógica de consumo do evento não termina na compra. No Mercado de Trocas, roupa, livros e plantas podem passar diretamente para outras pessoas, prolongando a sua utilização sem que seja necessário comprar novos produtos. É uma aplicação prática do conceito de economia circular: antes de um objeto se transformar em resíduo, pode ainda ter valor para outra pessoa.
E aquilo que já não serve?
A Cidade do Zero também propõe olhar de outra forma para os objetos que normalmente acabam no lixo. Várias marcas presentes no mercado recebem materiais específicos para reciclagem ou reutilização e, em alguns casos, oferecem vouchers ou descontos. Entre os exemplos estão vernizes e sombras de olhos fora de prazo, toalhas velhas, caixas de encomendas, calçado, óculos de sol partidos ou acessórios para animais. Há ainda pontos de doação, incluindo contentores da Humana para roupa, calçado e têxteis-lar. A lógica é simples: diferentes materiais têm diferentes destinos e nem tudo aquilo que já não utilizamos precisa de acabar imediatamente no lixo indiferenciado.
Reparar em vez de substituir
A mesma ideia aplica-se aos objetos que ainda podem ter uma segunda vida. Na estação Let’s Repair, os visitantes podem levar peças de roupa, têxteis de casa ou acessórios em tecido e aprender técnicas simples de reparação. O objetivo é prolongar a vida útil dos produtos e contrariar a lógica de utilização e descarte.
No Repair Café Lisboa, a proposta passa por tentar recuperar pequenos eletrodomésticos ou equipamentos eletrónicos avariados. Neste caso, é necessária inscrição prévia, sujeita a confirmação.
Mais do que uma oficina, estas iniciativas procuram recuperar um conhecimento que durante muito tempo fez parte da utilização normal dos objetos: reparar antes de substituir.
Sustentabilidade também passa pelo prato
A alimentação ocupa igualmente um lugar importante no programa. Há showcookings dedicados a diferentes formas de cozinhar e pensar a alimentação, desde “E se Esta For a Comida do Futuro?”, com a chef Luísa Mafei, até “Meal Prep Fácil”, com Sofia Magalhães.
Há ainda uma proposta pouco habitual: “Snacks Naturais para Cães e Humanos”, conduzida por Tiago Braga, biólogo marinho e fundador da Bake My Dog Happy, que explora opções de petiscos saudáveis para pessoas e animais de companhia.
Para quem prefere simplesmente comer, existe uma Zona de Restauração com diferentes propostas ao longo do dia.
A sustentabilidade chega também ao copo. No sábado, às 12h00, o espaço Mesa & Companhia recebe uma prova dos vinhos da Quinta dos Murças, dedicada aos aromas, sabores e diferentes expressões do Douro. A sessão é conduzida por Rui Falcão, responsável pela área de sustentabilidade no Esporão. A proposta é um exemplo de como o tema da sustentabilidade pode ser abordado a partir de diferentes setores e hábitos de consumo, sem ficar limitado à energia, aos transportes ou à reciclagem.
Olhar para a natureza
No sábado, entre as 16h30 e as 17h15, Gonçalo Ayala Botto, biólogo e comunicador de ciência, conduz uma sessão de observação das espécies que vivem em Portugal, com particular atenção à biodiversidade que pode ser encontrada no próprio Parque Eduardo VII. Árvores, plantas, aves e pequenos animais tornam-se assim o ponto de partida para perceber que os ecossistemas não estão necessariamente longe das cidades.
Sustentabilidade também é mobilidade
Integrada na Semana Europeia da Mobilidade, a Cidade do Zero tem a Lime como parceira oficial de mobilidade. A marca disponibiliza descontos de 25% e duas viagens gratuitas, válidas durante os dias do evento, para quem visitar o seu espaço. Haverá ainda ações relacionadas com segurança rodoviária e treinos de utilização de trotinetes e bicicletas.
A proposta enquadra-se numa discussão mais ampla sobre a forma como nos deslocamos dentro das cidades e sobre a necessidade de encontrar alternativas para diferentes tipos de viagens.
Nem tudo precisa de ser sério
Depois de falar de energia, alimentação, resíduos, mobilidade e alterações climáticas, a sustentabilidade também pode dar lugar ao humor. No domingo, às 17h30, o comediante Rui Mirama apresenta no Palco Principal a sessão “É Sustentável Rir Disto?”. É uma forma descontraída de terminar dois dias que procuram, no fundo, aproximar um conceito muitas vezes associado a grandes políticas ambientais das pequenas decisões individuais.
Durante o fim de semana haverá ainda palestras sobre temas como a transição energética em Portugal, o impacto ambiental da alimentação e a preparação do país para as alterações climáticas.
A Cidade do Zero funciona entre as 10h00 e as 19h30, nos dias 19 e 20 de setembro, no Parque Eduardo VII. A entrada e a maioria das atividades são gratuitas e, na generalidade dos casos, não exigem inscrição prévia.
Criada em 2022, a iniciativa passou pelo Pavilhão do Conhecimento, pelo Centro Cultural de Belém e, em 2024, pela Tapada da Ajuda. Agora, ao instalar-se no Parque Eduardo VII, pretende transformar durante dois dias um dos espaços mais conhecidos de Lisboa numa espécie de laboratório aberto para experimentar diferentes formas de viver de maneira mais sustentável.
