O Renault 4 E-Tech elétrico volta a dar motivos para despertar atenções, já que a gama acaba de receber uma série de melhorias que vão desde o aumento da autonomia até à introdução de novas tecnologias, sem esquecer duas versões que prometem conquistar públicos bastante diferentes.
Apresentadas no Salão Automóvel de Paris, as novidades já podem ser encomendadas em Portugal desde 2 de novembro, com preços a partir de 33.440 euros para a versão Evolution com bateria de 52 kWh. E, embora a aparência deste pequeno aventureiro de inspiração retro permaneça praticamente inalterada, há algumas diferenças que merecem ser conhecidas.
Mais quilómetros, sem aumentar a bateria
Uma das novidades mais interessantes é o aumento da autonomia, conseguido através de pequenas alterações aerodinâmicas, nomeadamente uma nova carenagem inferior da carroçaria e espelhos retrovisores redesenhados. Pode não parecer muito, mas é o suficiente para melhorar a eficiência energética sem recorrer a baterias de maior capacidade.

Assim, o Renault 4 E-Tech equipado com a bateria de 52 kWh e o motor de 150 cv passa a anunciar até 415 km de autonomia em ciclo WLTP, com um consumo combinado de 14,4 kWh/100 km. Nas versões Plein Sud, que se distinguem pelo irresistível tejadilho de abrir em lona, a autonomia fixa-se nos 400 km.
São ganhos relativamente modestos, mas demonstram que a eficiência de um automóvel elétrico não depende apenas da capacidade da bateria. E, num modelo pensado para combinar a utilização citadina com escapadelas de fim de semana, cada quilómetro adicional tem a sua importância.
Roland-Garros: um pouco de terra batida e muita elegância
A ligação da Renault ao universo do ténis volta a dar frutos com a chegada da edição especial Roland-Garros, que acrescenta uma dose suplementar de requinte ao Renault 4. Disponível exclusivamente com a bateria de 52 kWh, motor de 150 cv e tejadilho de lona Plein Sud, esta versão tem preços a partir de 40.190 euros.
O exterior distingue-se pela carroçaria bicolor, pelos detalhes em Castanho Terracotta e pelas jantes Parisienne de 18 polegadas, com acabamento diamantado. Os emblemas Roland-Garros identificam discretamente a edição, enquanto a combinação de cores remete para o ambiente do célebre torneio parisiense.

Mas é no habitáculo que a inspiração ganha maior expressão. Os bancos apresentam revestimentos em cinzento-claro produzidos a partir de materiais reciclados, combinados com apontamentos em azul e padrões que evocam o vestuário desportivo. A alavanca de seleção da transmissão inspira-se no punho de uma raquete de ténis, enquanto os tapetes e a base de carregamento sem fios para smartphones, compatível com a norma Qi2, recuperam os tons característicos da terra batida.
Há ainda aplicações em alumínio escovado, inscrições Roland-Garros Paris e pequenos detalhes que fazem desta versão uma proposta com personalidade própria. Uma interpretação mais sofisticada do Renault 4, sem perder a informalidade que sempre fez parte do seu encanto.
Jogging: a pensar na vida real
No extremo oposto da gama surge a futura versão Jogging, cuja chegada está prevista para o final de 2026. Será a nova porta de entrada no universo Renault 4 E-Tech, com uma proposta mais acessível e particularmente interessante para quem privilegia a utilização quotidiana.

A grande novidade está no conjunto motopropulsor, que combina um motor de 80 kW (110 cv) com uma bateria de 37 kWh, dos quais 36,5 kWh utilizáveis. Esta recorre à química LFP (fosfato de ferro-lítio) e à arquitetura cell-to-pack, permitindo otimizar o aproveitamento do espaço e reduzir a complexidade do conjunto.
A autonomia anunciada é de até 305 km WLTP, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 10,2 segundos. Números perfeitamente adequados a um automóvel que pretende fazer da versatilidade e da facilidade de utilização os seus principais argumentos.
O carregamento é assegurado por um sistema de 6,6 kW em corrente alternada e até 80 kW em corrente contínua, permitindo recuperar dos 15% aos 80% da bateria em apenas 23 minutos num posto rápido, segundo os dados divulgados para Portugal.
Apesar do posicionamento mais acessível, a Jogging não dispensa o essencial. Conta com dois ecrãs, de 7 e 10,1 polegadas, compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, sensores de estacionamento traseiros, câmara de marcha-atrás e jantes de 18 polegadas. O preço português ainda não foi anunciado.

Tecnologia mais útil no dia a dia
A Renault aproveitou também esta atualização para introduzir funcionalidades que prometem facilitar a convivência com o seu elétrico. Uma das mais relevantes é o pré-condicionamento manual da bateria, agora disponível em toda a gama.
Todas as versões passam igualmente a contar com uma câmara de marcha-atrás de alta definição, enquanto os níveis Techno e Iconic podem receber um sistema de visão de 360 graus, também de alta definição.
Outra novidade é o modo Smart, que substitui o anterior MySense e adapta automaticamente a resposta do automóvel, alternando entre os programas Eco, Comfort e Sport de acordo com o estilo de condução.
A conectividade também evoluiu. A aplicação My Renault passa a avisar o proprietário cinco minutos antes do final previsto do carregamento, o sistema de chamadas de emergência eCall torna-se compatível com redes 4G e 5G e surge um novo carregador de smartphones por indução, com ventilação e tecnologia Qi2.
Até a abertura elétrica da bagageira ficou mais simples: nas versões equipadas com esta funcionalidade, basta permanecer alguns segundos atrás do automóvel com o cartão mãos-livres para que o portão se abra automaticamente.
Artigo por Rui Reis

