
O projeto ReLiMa vai combinar ações de limpeza, reciclagem, educação ambiental e novas tecnologias para combater os resíduos no mar, começando pelas ilhas de Santiago, Maio e Fogo.
Reduzir a quantidade de lixo que chega ao oceano e encontrar novas formas de valorizar os resíduos marinhos são os objetivos do Projeto ReLiMa, uma iniciativa internacional lançada em Cabo Verde que envolve também a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
O projeto de Redução do Lixo Marinho em Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento do Atlântico envolve entidades académicas, empresas e organizações da sociedade civil e pretende atuar não apenas através das tradicionais campanhas de limpeza de praias, mas também com intervenções no fundo marinho e recurso a novas tecnologias.
“O objetivo fundamental é mobilizar parceiros para o combate ao lixo marinho em Cabo Verde”, afirmou Januário Nascimento, presidente da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), durante a apresentação da iniciativa na cidade da Praia.
As primeiras ações vão decorrer nas ilhas de Santiago, Maio e Fogo, estando prevista uma extensão posterior a São Vicente, Santo Antão e São Nicolau. O projeto inclui ainda intercâmbios técnicos com entidades do Brasil e da Alemanha.
Os resíduos recolhidos serão encaminhados para reciclagem através do centro da ADAD, na Praia. Parte do material poderá ser transportada entre as ilhas e outra poderá seguir para outros países para ser reciclada.
A quantidade de resíduos que o projeto pretende retirar do ambiente ainda não está definida e será estabelecida numa reunião técnica entre os parceiros.
Tecnologia para prevenir o lixo no oceano
Para Rafaela Creiser, diretora técnica da empresa alemã Black Forest Solutions, uma das prioridades passa por desenvolver soluções adaptadas às condições específicas de Cabo Verde: “O impacto positivo para Cabo Verde é justamente o desenvolvimento de práticas de consciencialização, tecnologia e infraestrutura para prevenir que este tipo de resíduos acabe no oceano”, afirmou.
A iniciativa deverá também acompanhar a acumulação de resíduos na ilha de Santa Luzia, a única ilha desabitada do arquipélago e uma importante zona de nidificação de tartarugas.
“É um caso que vamos observar com muito cuidado, para entender como podemos atuar e evitar que esses resíduos fiquem na ilha”, explica Rafaela Creiser.
Januário Nascimento considera que o combate ao lixo marinho continua a ser um “desafio complexo” e defende uma maior participação dos municípios. O responsável pede também que sejam canalizados recursos dos fundos ambientais e do turismo para o saneamento e para a melhoria da gestão de aterros e lixeiras.
Com um orçamento global de cinco milhões de euros e uma duração prevista de cerca de quatro anos, o ReLiMa terá em Cabo Verde um financiamento de aproximadamente 480 mil euros.
Além da redução dos resíduos no ambiente marinho, o projeto pretende reforçar a cooperação entre os três países africanos na proteção dos ecossistemas oceânicos e promover modelos mais sustentáveis de gestão de resíduos em pequenos Estados insulares.
