
Novo programa de Doutoramento em Ecologia Integral aposta numa abordagem interdisciplinar para responder aos desafios das alterações climáticas, da sustentabilidade e da justiça social.
As alterações climáticas, a transição energética, a inteligência artificial, as desigualdades sociais e a pressão sobre os recursos naturais estão a transformar a forma como governos, empresas e organizações tomam decisões. É neste contexto que a Universidade Católica Portuguesa lança o Doutoramento em Ecologia Integral, um programa que pretende formar investigadores e líderes capazes de responder a desafios cada vez mais complexos.
A proposta parte de uma ideia simples: os problemas globais já não podem ser analisados apenas através de uma única disciplina. Questões ambientais têm impactos económicos, decisões tecnológicas levantam dilemas éticos e políticas públicas influenciam diretamente o desenvolvimento social.
“O Doutoramento em Ecologia Integral nasce da convicção de que os grandes desafios do nosso tempo não podem ser compreendidos nem resolvidos a partir de uma única disciplina. Precisamos de promover o diálogo entre a Economia, as Ciências Ambientais, a Filosofia, a Teologia e as Ciências Sociais para construir respostas mais justas, sustentáveis e duradouras para as gerações presentes e futuras”, afirma Peter Hanenberg, coordenador do programa da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
O novo doutoramento reúne docentes e investigadores de várias faculdades da universidade e inspira-se no conceito de Ecologia Integral, que defende que as crises ambiental, económica, social e cultural estão profundamente interligadas. Em vez de centrar o debate exclusivamente nas questões ambientais, o programa procura integrar diferentes áreas do conhecimento para desenvolver soluções sustentadas por evidência científica e por uma reflexão ética.
A formação assenta em três grandes eixos. O primeiro passa pela gestão responsável dos recursos naturais e pela necessidade de repensar os atuais modelos de desenvolvimento económico e tecnológico. O segundo centra-se na dignidade humana, recorrendo aos contributos da Filosofia e da Teologia para refletir sobre o impacto das transformações contemporâneas nas pessoas e nas comunidades. O terceiro procura integrar estas perspetivas com as dimensões científica, ambiental, social e política, promovendo uma visão transversal da sustentabilidade.
Segundo a Universidade Católica Portuguesa, o objetivo é preparar profissionais para atuar em contextos onde as decisões exigem uma compreensão abrangente dos desafios atuais. Os diplomados poderão desenvolver carreira em universidades, centros de investigação, organismos públicos, organizações internacionais, empresas, organizações não-governamentais e entidades da sociedade civil, contribuindo para a definição de políticas públicas, estratégias empresariais e projetos de desenvolvimento sustentável.
Num momento em que conceitos como ESG, economia circular, responsabilidade social e transição climática ocupam um lugar central na agenda das empresas e das instituições, a universidade acredita que a formação de líderes capazes de cruzar conhecimento científico, visão económica e reflexão ética será cada vez mais determinante para responder aos desafios das próximas décadas.
