
Apresentado em 2019, o mais luxuoso dos GLS recebe agora uma atualização profunda. Não é uma geração inteiramente nova, mas a evolução abrange o design, a motorização, a suspensão, a experiência digital e, sobretudo, o conforto a bordo. As encomendas na Europa terão início no final de julho de 2026, embora os preços para Portugal ainda não tenham sido divulgados.
Uma presença ainda mais assumida
A Maybach nunca confundiu luxo com discrição absoluta. O novo GLS mantém essa postura e torna-a ainda mais evidente.
A secção dianteira foi redesenhada em torno de uma nova grelha Maybach, agora com contorno iluminado e, pela primeira vez neste modelo, com a inscrição da marca também iluminada. Em alguns mercados, até a estrela Mercedes-Benz colocada sobre o capô poderá receber iluminação própria.

Os faróis DIGITAL LIGHT adotam uma assinatura de dupla estrela, acompanhada por pequenos apontamentos em dourado-rosa. Atrás, um novo elemento decorativo une visualmente os farolins, onde os motivos tridimensionais em forma de estrela repetem a identidade luminosa da dianteira.
É uma linguagem visual assumidamente exuberante. Poderá não agradar a quem prefere um luxo mais reservado, mas seria difícil confundir este GLS com qualquer outra versão do modelo.
Entre as novas opções de pintura encontra-se uma combinação de dois tons que junta Dark Petrol e Cinzento Verde. A Night Series continua disponível para quem prefere substituir parte do brilho do cromado por elementos escurecidos.
Depois, há detalhes que talvez só façam sentido neste universo. As novas jantes forjadas de 23 polegadas possuem uma estrela central que permanece sempre na vertical, graças a um mecanismo de rolamentos e à ação da gravidade. É completamente dispensável do ponto de vista funcional e, exatamente por isso, tão Maybach.

O verdadeiro luxo começa quando se fecha a porta
Ao abrir uma das portas, os estribos elétricos projetam-se em menos de um segundo. À noite, uma faixa LED ilumina a superfície de acesso, enquanto o símbolo Mercedes-Maybach é projetado no chão. Depois de todos entrarem, os estribos recolhem e o mundo exterior começa a ficar para trás.
O habitáculo recebe o novo MBUX Superscreen, composto por três ecrãs de 12,3 polegadas integrados sob uma superfície contínua em vidro. Os grafismos específicos da Maybach recorrem a tonalidades dourado-rosa, numa tentativa de tornar a tecnologia mais coerente com os materiais tradicionais que a rodeiam.
Num automóvel dominado por pele Nappa, madeira trabalhada e acabamentos artesanais, um painel repleto de ecrãs corre sempre o risco de envelhecer mais depressa do que o restante habitáculo. A Mercedes procura contrariar essa fragilidade através de atualizações remotas e de um sistema operativo preparado para receber novas funções ao longo da vida do veículo.
A nova geração do MBUX inclui um assistente virtual apoiado por inteligência artificial generativa, recorrendo a tecnologias da Microsoft e da Google. A promessa é permitir conversas mais naturais, manter o contexto entre perguntas e adaptar as respostas ao utilizador.
Mais importante do que a lista de aplicações será perceber se toda esta inteligência consegue reduzir a distração ou se introduz mais uma camada de complexidade num automóvel que deveria ser, acima de tudo, repousante.

Massagem até às pernas
Os bancos dianteiros recebem uma nova função de massagem por vibração integrada nas almofadas. Nos dois lugares Executive traseiros, a massagem passa a abranger também a parte inferior das pernas.
Pode parecer um detalhe secundário, mas não o é. Num automóvel pensado para longas deslocações com motorista, o conforto não depende apenas do espaço disponível ou da suavidade da suspensão. Depende da postura, da ausência de pressão localizada e da capacidade de chegar ao destino sem sentir as horas passadas dentro do automóvel.
A Maybach acrescenta ainda uma nova combinação de pele Nappa em castanho Beech e bege Macchiato, madeira de nogueira castanha com padrão em espinha e um revestimento misto prateado e preto brilhante com padrão em losangos.
Entre os dois bancos traseiros poderá existir um compartimento refrigerado com frente em vidro, dimensionado para duas garrafas de 0,75 litros. Não é propriamente uma solução destinada à garrafa de água levada para o ginásio.
O sistema Burmester 3D Surround Sound com Dolby Atmos passa a contar com 15 altifalantes e um amplificador de 710 watts. Até o ar recebe atenção específica: um novo sistema de filtragem utiliza ionização elétrica para capturar partículas finas e renova o ar do habitáculo aproximadamente a cada 90 segundos.

Um V8 com 612 cv, mas sem dramatismo
Debaixo do capô permanece um V8 biturbo de 4,0 litros, agora numa evolução profunda da família M177. Com o apoio de um sistema elétrico de 48 volts e de um gerador de arranque integrado de segunda geração, desenvolve 612 cv e 850 Nm de binário. Em determinadas situações, o sistema elétrico pode acrescentar temporariamente mais 23 cv.
A eletrificação não pretende transformar o GLS num automóvel ambientalmente exemplar. Serve sobretudo para melhorar a resposta inicial, recuperar energia nas desacelerações e tornar praticamente impercetíveis as transições do sistema Start/Stop.
Dois novos veios de equilíbrio ajudam a reduzir as vibrações do V8. Ao mesmo tempo, foram reforçados os materiais de isolamento junto ao túnel da transmissão, ao painel corta-fogo e ao compartimento do motor. Espumas aplicadas em zonas específicas da carroçaria procuram ainda limitar a entrada dos ruídos mecânicos, aerodinâmicos e de rolamento.
É aqui que a potência faz mais sentido. Não para transformar este gigante numa máquina agressiva, mas para permitir acelerações rápidas sem esforço aparente, mesmo com vários passageiros e bagagem a bordo.

Uma suspensão que conhece a estrada
O novo GLS recebe de série uma evolução da suspensão pneumática AIRMATIC. Através das informações Car-to-X armazenadas na cloud, o sistema pode antecipar determinadas irregularidades e preparar os amortecedores antes de as rodas chegarem ao obstáculo.
Opcionalmente, o E-ACTIVE BODY CONTROL utiliza cinco processadores multicore e mais de 20 sensores para analisar o comportamento do veículo até mil vezes por segundo, ajustando individualmente as forças aplicadas em cada roda.
No modo CURVE, a carroçaria pode inclinar-se até três graus para o interior da curva. O objetivo não é criar uma condução mais desportiva, mas reduzir as forças laterais sentidas pelos passageiros — sobretudo por quem viaja atrás e poderá estar a trabalhar, ler ou simplesmente descansar.
A direção também foi revista e adota uma relação mais direta. A promessa é tornar o GLS mais preciso e menos trabalhoso em estradas sinuosas ou nas inevitáveis manobras urbanas, sem comprometer a serenidade esperada de um Maybach.

Acabado à mão no Alabama
O Mercedes-Maybach GLS continuará a ser produzido em Tuscaloosa, no Alabama. O acabamento de cada unidade é realizado fora da linha convencional por uma equipa especializada.
Dois técnicos acompanham a fase final de cada automóvel, trabalhando manualmente os revestimentos em pele, madeira e os restantes elementos específicos da versão.
É uma combinação reveladora do automóvel moderno: um SUV de uma marca alemã, produzido nos Estados Unidos para clientes de todo o mundo, com software ligado à cloud, inteligência artificial no habitáculo e componentes interiores terminados à mão.
O novo Mercedes-Maybach GLS tem uma grelha iluminada, jantes de 23 polegadas com emblemas que nunca rodam, três ecrãs dianteiros, dois traseiros, massagem nas pernas e espaço refrigerado para champanhe. Seria fácil reduzi-lo a esta sucessão de elementos.
Artigo por Rui Reis
