
Durante os últimos anos, habituámo-nos a ver o automóvel elétrico seguir quase sempre o mesmo caminho: carroçarias altas, postura de SUV, interiores minimalistas e promessas de tecnologia para justificar preços cada vez mais ambiciosos. O XPeng P7+ chega com outra atitude.
É grande, sim, mas baixo. É familiar, mas não parece uma carrinha. Tem espaço de sobra, mas não abdica de uma linha fluida. E, acima de tudo, quer provar que a nova geração de elétricos chineses já não vive apenas de preço competitivo.
O P7+ é um daqueles automóveis que se percebe melhor ao vivo do que numa ficha técnica. Os números impressionam, mas não explicam tudo. Mede mais de cinco metros de comprimento, tem uma distância entre eixos de três metros e uma bagageira gigantesca, mas conduz-se com uma facilidade inesperada. Não tenta ser desportivo a todo o custo, nem precisa disso. Prefere o silêncio, a suavidade e a sensação de lounge sobre rodas.

Um antídoto para a febre SUV
A melhor forma de olhar para o XPeng P7+ talvez seja esta: é um grande elétrico familiar para quem já se cansou da omnipresença dos SUV. A silhueta fastback dá-lhe outra elegância, mais baixa e mais longa, com uma frente afilada e uma traseira trabalhada para manter a eficiência aerodinâmica.
Não é um carro discreto nas dimensões, mas também não depende de exageros visuais para marcar presença. Há um certo equilíbrio entre tecnologia e sobriedade, entre o desenho limpo e a necessidade de afirmar que estamos perante um automóvel de nova geração. É moderno sem parecer um objeto de ficção científica estacionado em segunda fila.
A bordo, esta abordagem faz ainda mais sentido. O P7+ é amplo, luminoso e muito confortável. A sensação de espaço é imediata, sobretudo atrás, onde os passageiros têm muito lugar para as pernas e uma boa largura disponível. O tejadilho panorâmico ajuda a reforçar essa ideia de sala aberta, enquanto os bancos parecem ter sido desenhados mais para relaxar do que para prender o corpo em curvas rápidas.
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Espaço para a vida real
A bagageira merece destaque próprio. São 573 litros em configuração normal e até 1931 litros com os bancos traseiros rebatidos. Mais importante ainda: a tampa traseira funciona como uma verdadeira quinta porta, com abertura total do vidro, o que torna o acesso muito mais prático do que numa berlina tradicional.
Este detalhe muda a utilização do carro. O P7+ pode ter uma silhueta elegante, mas não obriga a grandes cedências quando chega a altura de carregar malas, equipamento de fim de semana, compras volumosas ou material de trabalho.
Curiosamente, falta-lhe uma chapeleira. Num carro com uma mala tão ampla, é uma ausência estranha, porque deixa a carga mais exposta do que seria desejável.
Tecnologia sem cerimónias
A XPeng tem trabalhado a sua imagem como marca tecnológica e o P7+ leva essa ideia bastante a sério. O habitáculo tem ecrã central de 15,6 polegadas, painel de instrumentos digital, head-up display, assistente de voz, atualizações remotas, Apple CarPlay, Android Auto, sistema de som XOpera 3.0 com 20 altifalantes e, nas versões mais equipadas, até um ecrã traseiro para os passageiros.

O equipamento de série é um dos seus grandes argumentos. Bancos aquecidos, ventilados e com massagem, portas sem moldura, fecho suave, teto panorâmico, bomba de calor, carregamento sem fios ventilado, câmara 360º, estacionamento automático, funções controláveis por aplicação e sistema V2L fazem parte de uma lista que parece mais próxima de um topo de gama do que de um modelo com este posicionamento de preço.
Nem tudo é perfeito. Algumas informações no pequeno painel de instrumentos atrás do volante têm letras demasiado pequenas, o que obriga a mais atenção do que seria ideal. Num carro tão focado na experiência digital, a legibilidade devia ser tratada com o mesmo cuidado que os ecrãs ou os assistentes inteligentes.
O “cérebro” como novo argumento de luxo
A XPeng gosta de falar na passagem do “horsepower” para o “brain power”. A expressão pode soar a slogan, mas resume bem a direção da marca. O P7+ utiliza o chip XP5, também conhecido como Turing Chip, com capacidade até 750 TOPS, pensado para alimentar os sistemas de assistência à condução e preparar o automóvel para evoluções futuras através de atualizações over-the-air.
A marca fala também no sistema VLA, de Vision, Language and Action, como base para uma nova fase de integração da inteligência artificial no automóvel. Em teoria, isto permite ao carro interpretar melhor o ambiente, adaptar-se ao contexto e responder de forma mais rápida.

Carregar depressa é decisivo
Num elétrico, o verdadeiro luxo já não está apenas no silêncio ou nos materiais. Está também no tempo que não se perde parado a carregar. E aqui o P7+ joga uma carta forte.
Todas as versões usam bateria LFP e arquitetura de 800 V. A versão Standard Range suporta carregamento rápido DC até 350 kW, enquanto as Long Range e AWD Performance Pro chegam aos 446 kW. Em condições ideais, a XPeng anuncia cerca de 12 minutos para carregar dos 10 aos 80%.
A gama começa com o P7+ RWD Standard Range, com 245 cv, bateria de 61,7 kWh e até 455 km de autonomia WLTP combinada. Segue-se o RWD Long Range, com 313 cv, bateria de 74,9 kWh e até 530 km WLTP combinados, além de até 660 km em ciclo urbano. No topo está o AWD Performance Pro, com 503 cv, tração integral, 4,3 segundos dos 0 aos 100 km/h e até 500 km WLTP combinados.
Os preços em Portugal começam nos 38 200 euros + IVA na versão Standard Range, sobem para 41 455 euros + IVA na Long Range e chegam aos 46 300 euros + IVA na AWD Performance Pro.
Artigo por Rui Reis
