
A UNICEF estima que 1,1 mil milhões de crianças em todo o mundo estejam expostas a pelo menos três riscos climáticos em simultâneo. Em Portugal, a seca, os incêndios e o calor extremo já afetam centenas de milhares de menores.
As alterações climáticas traduzem-se em temperaturas recorde, secas ou incêndios, com a UNICEF a destacar que as crianças estão entre os mais vulneráveis destes fenómenos.
É essa a principal conclusão do Children’s Climate Risk Report 2026, divulgado pela UNICEF, que mostra como os fenómenos climáticos extremos estão a afetar a saúde, a educação e a qualidade de vida das gerações mais novas.
Atualmente, quase metade das crianças do mundo, cerca de 1,1 mil milhões, vive exposta a pelo menos três riscos climáticos ao mesmo tempo. Mais de quatro milhões enfrentam seis ameaças simultâneas.
Em Portugal, os dados revelam que cerca de 648 mil crianças estão expostas à seca, 469 mil ao calor extremo e 474 mil aos incêndios. Além disso, mais de 1,5 milhões vivem em zonas afetadas pela poluição atmosférica.
Porque são as crianças mais vulneráveis?
A explicação começa pela própria biologia.
As crianças têm organismos ainda em desenvolvimento, o que as torna mais sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à má qualidade do ar e a doenças associadas às alterações climáticas. Além disso, dependem mais dos sistemas que as rodeiam, como escolas, centros de saúde, abastecimento de água ou apoio social.
Quando estes serviços falham devido a fenómenos extremos, as consequências podem prolongar-se durante anos.
O relatório da UNICEF recorda que, só em 2024, pelo menos 242 milhões de estudantes em 85 países tiveram a escolaridade interrompida devido a eventos climáticos extremos. Também alerta para o aumento do risco de deslocações forçadas, pobreza, insegurança alimentar e problemas de saúde.
Uma das ideias centrais do estudo é que as alterações climáticas raramente provocam apenas um problema isolado. Uma seca prolongada pode destruir colheitas e reduzir a disponibilidade de alimentos. A vegetação seca aumenta o risco de incêndios. Depois, quando regressa a chuva intensa, os solos degradados tornam-se mais suscetíveis a cheias repentinas.
As consequências vão muito além dos danos materiais. Casas destruídas podem obrigar famílias a abandonar as suas comunidades. Escolas encerradas interrompem a aprendizagem. Infraestruturas de saúde danificadas dificultam o acesso a cuidados médicos.
Segundo a UNICEF, é precisamente esta acumulação de impactos que torna a situação desafiante para milhões de crianças.
O que pode ser feito?
O relatório defende três linhas de ação principais.
A primeira passa pela redução das emissões de gases com efeito de estufa e pela aceleração da transição para fontes de energia renovável.
A segunda consiste em adaptar infraestruturas essenciais às novas condições climáticas, criando escolas mais resilientes, reforçando os sistemas de saúde e garantindo acesso seguro a água e saneamento.
Por fim, a UNICEF sublinha a importância de envolver crianças e jovens nas decisões relacionadas com a ação climática, através da educação e da participação em processos que afetam diretamente o seu futuro.
