
Portugal depositou mais 334 amostras de sementes no Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. A nova remessa eleva para 1.861 o número de acessos portugueses conservados nesta infraestrutura, criada para proteger a diversidade agrícola mundial de catástrofes e outros riscos.
Conhecido como o “cofre do apocalipse”, o Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega, recebeu mais 334 amostras de sementes portuguesas. A entrega assinala a quinta participação oficial de Portugal nesta infraestrutura internacional, elevando para 1.861 o número de acessos nacionais conservados em segurança no Ártico.
A nova remessa inclui 303 acessos de feijão-comum, 18 de feijão-frade e 13 de milho, representando mais um passo na estratégia de preservação dos recursos genéticos vegetais e da biodiversidade agrícola.
Criado em 2008, o Svalbard Global Seed Vault funciona como uma reserva de segurança para as coleções de sementes mantidas por bancos de germoplasma de todo o mundo. O objetivo é evitar que variedades agrícolas desapareçam definitivamente na sequência de catástrofes naturais, conflitos armados ou falhas técnicas que possam comprometer as coleções originais.
Portugal realizou o primeiro depósito em 2018, seguindo-se novas entregas em 2020, 2023 e 2025. No conjunto, estas remessas permitiram conservar 1.527 acessos de culturas como milho, cevada, centeio, trigo, feijão-comum e feijão-frade. Com a entrega deste mês de outubro, o património genético nacional salvaguardado em Svalbard passa a totalizar 1.861 acessos.
Portugal também participa na investigação científica
A conservação das sementes portuguesas é assegurada pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e pelo Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV). O contributo nacional não se limita, contudo, ao armazenamento de cópias de segurança.
O INIAV participa no projeto internacional “100 Year Seed Longevity Experiment”, uma iniciativa científica que pretende avaliar a longevidade das sementes e a sua capacidade de conservação ao longo de um século. O estudo procura aprofundar o conhecimento sobre a viabilidade das sementes ao longo do tempo, um fator essencial para garantir a preservação dos recursos genéticos vegetais.
Portugal integra também, desde 2023, o Conselho Consultivo do Svalbard Global Seed Vault, reforçando a sua participação na governação desta infraestrutura. O país está ainda envolvido em organizações e programas internacionais dedicados à conservação dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura, incluindo o Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Crop Trust e o Programa Europeu de Cooperação para os Recursos Fitogenéticos (ECPGR).
Uma reserva para a segurança alimentar mundial
A infraestrutura norueguesa é gerida através de uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Alimentação da Noruega, o Centro Nórdico de Recursos Genéticos (NordGen) e o Crop Trust. Mais de 20 bancos de germoplasma de diferentes países deverão participar na cerimónia de 13 de outubro, incluindo instituições da Ucrânia, do Líbano e da África do Sul.
Em junho de 2026, o banco ultrapassou os 1,4 milhões de amostras de sementes conservadas, consolidando o seu papel como uma das principais reservas mundiais de diversidade agrícola.
Num contexto de alterações climáticas, crescente pressão sobre os sistemas alimentares e riscos geopolíticos, a preservação de variedades agrícolas assume uma importância estratégica. A diversidade genética permite manter características que podem revelar-se fundamentais para desenvolver culturas mais resistentes a doenças, pragas ou condições ambientais adversas.
Ao depositar duplicados das suas coleções em Svalbard, Portugal contribui para uma rede internacional de proteção do património agrícola. A missão do “cofre do apocalipse” é, assim, garantir que a diversidade das culturas alimentares não se perde e que as gerações futuras dispõem de recursos genéticos essenciais para responder aos desafios da produção de alimentos.
