
O país conhece as causas dos grandes incêndios há mais de 80 anos, mas continua a reagir às chamas em vez de prevenir o risco, aponta relatório da Greenpeace.
Todos os verões regressa a mesma “novela”: calor, fumo, imagens de fogo e a pergunta inevitável – como é que isto continua a acontecer?
O novo relatório da Greenpeace Portugal, baseado em mais de oito décadas de dados, responde de forma desconfortável: Portugal sabe há muito tempo quais são os fatores que alimentam os grandes incêndios, mas continua sem mudar o suficiente.
O estudo, coordenado cientificamente pelo professor Domingos Xavier Viegas, mostra que os incêndios não começam apenas quando as temperaturas disparam em agosto. Começam antes – no abandono do interior, na acumulação de vegetação, na expansão desordenada junto às florestas e nas alterações climáticas que tornam tudo mais extremo.
Há um dado particularmente revelador: o número de ignições curiosamente diminuiu nas últimas duas décadas. Ou seja, houve progresso. O problema é que, quando se juntam seca, calor extremo e vento forte, os incêndios que escapam ao controlo tornam-se cada vez mais destrutivos. E para além de um problema ambiental, os incêndios tornaram-se um problema económico, social e humano.
O impacto não fica confinado ao interior do país. Quem vive nas cidades também vê afetada a qualidade do ar. Há um aumento dos custos públicos, a destruição de património natural, o agravamento do despovoamento e o desaparecimento de vastas áreas verdes reduz a capacidade do território para enfrentar eventos climáticos extremos.
O relatório lembra que a maioria das ignições continua a ter origem humana, o que significa que a prevenção depende tanto de políticas públicas como de comportamentos individuais.
A Greenpeace defende uma mudança de prioridades – menos dependência do combate de emergência e mais investimento em prevenção estrutural ao longo de todo o ano.
O relatório termina com a mensagem de que os incêndios florestais nunca desaparecerão totalmente. Nesse sentido, exorta o país a decidir se continua a viver de verão em verão, reagindo à próxima crise, ou se finalmente trata o fogo como aquilo que ele é – um desafio permanente de gestão do território e do clima.
