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OBRIGADO: A PALAVRA OBRIGATÓRIA

Há uns dias, em Porto Covo, durante uma jornada de cervejolas e petiscos, entre amigos, reparamos em algo que estava intrínseco à nossa educação. Por tudo e por nada dizíamos “obrigado”. Um prato pousado e “obrigado”; um talher pousado e “obrigado”; um pedido feito e “obrigado”; uma resposta dada a qualquer pergunta e “obrigado”. Mas, ao mesmo tempo que comentamos a quantidade de vezes que a palavra era proferida por minuto, rapidamente concluímos: “não é demais”. Dizer obrigado nunca é demais. É um dom que se conquista através da educação. Faz-nos bem. E sobretudo, faz melhor às pessoas com quem lidamos. Não ficamos mais pobres por dizer muitos “obrigados”. Pelo contrário: enriquecemos o trato humano.


Obrigado tem oito letras. Profere-se em menos de dois segundos. Não custa e tem um efeito completamente diferenciador no reconhecimento, no agradecimento e, claro, no respeito para com o próximo.
A palavra obrigado é algo que tem estado bastante presente no meu pensamento nos últimos dias. Esta semana sirvo-me deste espaço público para deitar cá para fora o meu obrigado aos atletas olímpicos que elevam o nome do nosso País além-fronteiras. Somos mais Portugal por eles. Que ninguém tenha dúvidas. E somos mais Portugal pelo esforço quase desumano a que nos habituámos a apreciar e a elogiar. Pessoas que, muitas vezes, abdicam de uma vida comum, recorrentemente sem grandes condições, para, de forma quase obsessiva, se dedicarem a uma causa que, sim, tem muito de pessoal; todavia, meus caros, também tem imenso de coletivo, na medida em que elevam as cores de Portugal a um patamar que poucos logram alcançar.


Agradeço, por isso, a todos os atletas que nos representam nesta competição de reconhecimento estratosférico, mas tenho de destacar e enviar um enorme obrigado ao Jorge Fonseca, à Patrícia Mamona, ao Fernando Pimento e ao Pedro Pichardo. Estes, claro, merecem um reconhecimento especial, pois são quem nos permite ouvir o Hino Nacional além-fronteiras, fruto de terem alcançado o pódio dos pódios: o dos Jogos Olímpicos, claro está. São eles quem mais dão reconhecimento a “este bocadinho de mar à beira-mar plantado”. O meu reconhecimento é grande e, por isso, estou neste momento a escrever este texto, carregado com umas belas olheiras provocadas pela medalha de ouro de Pedro Pichardo.
Uma presença nos Jogos Olímpicos é só para os maiores que pisam o planeta; uma medalha nos Jogos Olímpicos é para os extraterrestres; uma medalha de ouro…não consigo qualificar…é demasiadamente sublime e ímpar. Por isso, apetece-me muito dizer outro obrigado muito especial: ao Nélson Évora. Assisti em direto à despedida dele dos Jogos Olímpicos e custou-me vê-lo dizer “adeus” ao olimpismo, assim, daquela maneira. Não merecia. Não merecia porque é um dos cinco medalhados de ouro portugueses, foi várias vezes atraiçoado por lesões, sempre se reergueu e defendeu Portugal com “unhas e dentes”. Mas, nada apaga o legado que agora nos deixa. Nelson Évora será, eternamente, um dos melhores atletas nacionais de todos os tempos e um dos maiores embaixadores de Portugal no Mundo.


Embora o próprio garanta que a despedida não significa o fim da carreira – lembra que nada tem a provar e quer divertir-se a fazer o que gosta – , mas sim a presenças em Jogos Olímpicos, pela importância que teve para Portugal na mais importante competição do desporto mundial, não ficaria de consciência tranquila se não aproveitasse este espaço público para gritar o que me vai na alma:
Obrigado, Nélson!
E, claro: Obrigado, Jorge; Obrigado, Patrícia; Obrigado, Fernando; Obrigado, Pedro.

Esta crónica foi escrita por André Leitão