O QUE FAZER PARA AJUDAR AS MULHERES NO AFEGANISTÃO

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O QUE FAZER PARA AJUDAR AS MULHERES NO AFEGANISTÃO

Farshad Usyan/Getty Images

É tempo de refletir sobre a emoção e através dela procurar uma solução.

“As mulheres no Afeganistão” – o título que mais ouvimos nos últimos dias, mas durante anos adormecíamos quando acabávamos de ver as notícias que relatavam a ascensão dos Talibãs. No entanto, este texto não tem como objetivo apontar culpados, pois a lista seria demasiado grande, mas as imagens que nos chegam, bem como histórias e relatos são cada vez mais chocantes. O mundo está a assistir ao início de uma crise humanitária permitindo a violação dos direitos humanos no Afeganistão.

Esta semana foram várias as mensagens que circularam nas redes sociais. A partilha de imagens e factos leva-nos a querer uma coisa: as mulheres no Afeganistão tem agora que respirar baixinho, pois a sua existência parece incomodar. Poucas são aquelas que conseguem abandonar o país. Presas numa vida que não escolheram, num país que não as quer, as mulheres do Afeganistão precisam de ser ajudadas.

A nós, que estamos longe, cabe-nos dar o nosso melhor para fazer a diferença. Ajudar a recuperar a liberdade destas mulheres, procurar soluções, oferecer a oportunidade de abandonar o país que as tenta asfixiar, apagando todos os seus direitos enquanto seres humanos.

Não precisamos de viajar até lá para agir perante esta situação. A New Men ajuda-o a perceber quais as pequenas ações que só dependem de si, mas podem mudar a vida de uma mulher afegã.

O primeiro passo é informar-se. Depois garantir que consulta fontes seguras, conhece a história e sabe quais os sítios que apoiam esta causa. Para começar podemos ajudá-lo com um breve contexto da situação que se vive nesta zona do mundo.

Afinal quem são os Talibãs? Este é um movimento religioso que acabara por se tornar igualmente político. A maioria dos homens que compõe este movimento estudaram em escolas religiosas bastante conservadoras. Depois de terem combatido na União Soviética, o grande objetivo inicial era instaurar a paz e segurança no país. No entanto, para os Talibãs isso só era possível através da Lei Islâmica, numa versão severa que impunha grandes restrições.

Durante alguns anos o movimento foi controlado, principalmente pelos americanos que após a realização de um acordo de paz, decidiram começar a retirar as tropas do país. Em 2020 foi oficializado o acordo, mas a ascensão dos Talibãs já era uma preocupação na altura.

Um ano depois, o que mais temíamos acabou mesmo por acontecer. O movimento ganhou uma dimensão abismal e os Talibãs acabaram mesmo por capturar a capital do Afeganistão – o que levou ao desmantelamento do governo. Embora estes façam promessas e afirmem não querer um regime opressivo, os relatos que nos chegam contradizem essa ideia.

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Além da lei não prever a garantia dos direitos humanos, já se fazem sentir os episódios de violência e opressão. A emancipação da mulher deixa de existir e estas passam a poder ser mortas por apanhar um táxi sozinhas, praticar desporto, estudar ou ser atendidas por um médico do sexo masculino.

Todos aqueles que não baixarem a cabeça e seguirem as ordens dos Talibãs encontram-se agora em perigo. O desespero e o caos instalado não deixam ninguém indiferente. Desde as imagens de pessoas a agarrarem-se às asas de um avião, como as vozes das mulheres que cantam na fronteira na esperança que a consigam passar, ou alguém consiga fazer com que sejam ouvidas.

Nestes momentos a solidariedade internacional é indispensável e cada um de nós pode fazer a sua parte. Atenção que deverá ter sempre em conta quais as formas mais seguras e fiáveis de ajudar. Encontrar instituições credíveis em quem pode confiar para fazer doações que realmente cumprem o objetivo final é um desses primeiros passos.

Sugerimos que conheça melhor a Women for Women Internacional, International Rescue Committe, e Relief Internacional. Todas estas plataformas tem vindo a desenvolver um trabalho impressionante, permitindo que através delas consigamos dar a mão a algumas destas mulheres, famílias e crianças. As doações feitas são utilizadas para salvar vidas.

Além do mais deverá sempre assinar petições, que tenham como propósito a saída voluntária do país, bem como a garantia de condições e segurança. Por exemplo, o Create safe passages from Afghanistan!, é uma petição criada com o objetivo de exigir noções de segurança que garantam a passagem nas fronteiras, sem qualquer impedimento, principalmente no caso das mulheres que quando o tentam fazer correm o risco de ser presas, torturadas ou até mortas na hora.

Não podemos fechar os olhos a uma crise humanitária. Diariamente morrem várias pessoas, sejam homens, mulheres ou até crianças. O mundo torna-se assim um pouco mais negro. Por todas as mulheres que ainda se manifestam e arriscam a vida por tantas outras, bem como pelos pais que querem tirar as filhas do país, fica este texto e incentivo à solidariedade. No final do dia esta é uma luta que é de todos aqueles que acreditam na liberdade e nos direitos humanos.

O sentido de impotência não nos pode fazer baixar os braços. Pequenos passos podem fazer a diferença quando unimos forças. Mesmo longe, podemos caminhar ao lado de todas estas mulheres, que continuam a combater a desigualdade e a tentar mudar mentalidades.

Texto escrito por Marta Pereira Laranjeira