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O CIVISMO NÃO VESTE PRADA NEM PRIMARK

Esta reflexão tem por base uma publicação do actor, Miguel Costa.

No passado dia 26, o actor Miguel Costa partilhou uma fotografia na sua rede social Instagram na qual, com razão, criticava a falta de civismo das pessoas no que toca aos cuidados a ter com o lixo de natal.

Na publicação pode ler-se o seguinte: “A falta de civismo veste Prada. Atenção, a marca em questão não tem culpa nenhuma. A foto é de hoje, numa das zonas mais “nobres” de Lisboa. Toda a gente sabe que dia 25 não há recolha de lixo, mas há quem não queira saber, e proporcione este triste espectáculo. Lamentável, para não dizer pior. O dinheiro compra muita coisa, mas não compra civismo.”

Como refere, o Miguel estava “numa das zonas mais nobres de Lisboa” e, por isso (penso eu), conclui que “o dinheiro compra muita coisa, mas não compra civismo” isto porque ele se deparou com um “triste espetáculo”. Daí que comece por escrever que “a falta de civismo veste Prada”.

O grande problema da indignação do Miguel é assumir que por se tratar duma zona nobre da cidade, as pessoas vão ser mais civilizadas. Não vão e há, de facto, um grande problema com a falta de civismo em geral.

Na segunda-feira, 28 de Dezembro, este foi o cenário em que encontrei o lixo mais próximo do sítio onde trabalho:

Parafraseando o Miguel, as marcas não tem culpa nenhuma, mas a falta de civismo não veste só Prada, também veste Decathlon, Nike e bebe Sagres. E não acontece só na “zona nobre”, pelos visto é extensível a outros concelhos.

Ver a rua neste estado é absolutamente revoltante! A completa falta de cuidado deixa-me perplexo. Como é que se pode deixar um passeio num estado tão caótico como este?

A única coisa que me trás alguma paz de espirito é saber que, felizmente, o civismo não é um acto elitista nem escolhe uma hierarquia social. Por isso, o Miguel podia ter encontrado um “lixo civilizado” e eu também, porque é a pessoa que escolhe querer agir com cuidado e consideração pelos outros e pela via pública.

Não interessa se a pessoa vive na zona nobre ou no meio da plebe, porque não vivemos nos tempos medievais. Mas, de facto, parece quando vimos contentores assim.

Este artigo foi escrito por cronista Capitão Tejo