IRREVERENTE MADURO

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IRREVERENTE MADURO

Apostando num design pouco conservador e até algo controverso por ser completamente fora da bolha, a verdade é que a primeira geração do Nissan Juke conquistou uma legião de adeptos, tanto em Portugal como no resto da Europa. O que poucos sabem, exceto quem possui uma unidade ou teve oportunidade de o conduzir, é que o Juke original é um caso sério de prazer de condução e ligação intimista entre condutor e máquina. Por outro lado, a escassez de espaço atrás era um dos pontos a rever. Mudar o Juke implicava limar as arestas, mas manter o espírito ousado. Se a Nissan assim o pensou, melhor o fez… Com o novo Juke, a Nissan resolveu boa parte dos pontos menos atrativos do modelo anterior e conferiu-lhe uma acrescida nota de sofisticação e um maior rigor qualitativo.

Com uma plataforma (CMF-B) mais rígida, mas mais leve, o novo Juke é maior (mais 75 mm em comprimento), mais alto (+30 mm) e mais largo (+35 mm). Mais importante, a distância entre-eixos cresceu quase 110 mm, traduzindo-se num ganho significativo de espaço a bordo, especialmente atrás. A própria capacidade da bagageira atinge agora os 422 litros, contra os 352 litros na anterior geração.

Na prática o Juke está mais crescido e maduro, mas mantém a jovialidade do conceito original. O desenho, por exemplo, está mais moderno e consensual, mas continua a diferenciar o crossover da Nissan. Os icónicos faróis redondos mantêm-se, embora estejam melhor integrados no desenho geral. Se o desenho é inegavelmente atraente e distinto, o interior é… melhor em tudo.

A qualidade geral deu um salto de gigante, a habitabilidade passou a ser das melhores do segmento (e o mesmo se passa com a mala) e a vida a bordo tira partido de um evidente acréscimo na sofisticação e no conforto. É verdade que o desenho geral é menos futurista e bastante mais convencional, mas, particularmente, acho que os ganhos obtidos em todas as restantes áreas, compensam a menor irreverência do habitáculo.

Outro dado importante para alguns utilizadores é que o aumento da superfície vidrada torna o interior menos claustrofóbico, uma crítica apontada à anterior geração e que “castigava” especialmente os ocupantes dos lugares traseiros.

Onde a Nissan não cedeu a compromissos foi na dinâmica. É verdade que o “pequeno” 1.0 DIG-T, o conhecido três cilindros turbo a gasolina, com 114 CV e 200 Nm de binário não é um sprinter por natureza, mas é despachado q.b., mais refinado que poderíamos supor e não gasta por aí além. Mas o acerto das suspensões continua a privilegiar o equilíbrio entre o conforto e o comportamento e a propiciar uma boa dose de agilidade e um eficaz controlo de movimentos de carroçaria. A unidade que ensaiámos estava equipada com a caixa de dupla embraiagem de sete velocidades, uma solução que casa particularmente bem com as aptidões urbanas do Juke e não compromete o prazer de condução.

Mas a marca japonesa da Aliança Renault/Nissan parece ter guardado o melhor para o fim… A unidade ensaiada dispunha do nível de equipamento de topo N-Design Chic que faria supor um preço final de 27 980€. Mas, pelo menos até 31 de março, a Nissan tem em vigor um valor promocional de 24 900€. E se estiver disposto a abdicar de tão recheada lista de equipamento, o Juke Visia (com o mesmo motor e caixa manual de seis velocidades) está disponível desde os 19 130€. Isto sim é um negócio… do Japão. 

Este artigo foi escrito por Rui Reis