HONDA CIVIC TYPE R, CAPAZ DE NOS DEIXAR DE OLHOS EM BICO. BANZAI!

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HONDA CIVIC TYPE R, CAPAZ DE NOS DEIXAR DE OLHOS EM BICO. BANZAI!

A origem da expressão japonesa “banzai” perde-se no tempo e quererá dizer qualquer como coisa “dez mil anos”, aludindo ao tempo que desejamos que a pessoa viva, sendo por isso uma expressão de boa sorte, saúde e prosperidade. Mas é também uma expressão patriótica, uma espécie de grito de guerra, eternizado pelos pilotos Kamikaze quando se lançavam contra os seus alvos. Mas o que é que isto tem a ver com o renovado Honda Civic Type R? Tudo, acrescentamos nós. É que é quase impossível não passar uns dias ao volante deste desportivo japonês sem darmos por nós a gritar “Banzai”… ou outra expressão qualquer menos digna de figurar num texto da New Men.

Recordemos os cartões de visita do Type R: motor 2.0 i-VTEC Turbo com 320 CV de potência e 400 Nm de binário máximo, que lhe permite acelerar de 0 a 100 km/h em 5,8 segundos e atingir os 272 km/h de velocidade máxima. Tudo isto servido por uma fabulosa caixa manual de seis relações que entrega todo este poderio às rodas dianteiras. Como é que é possível? Nós explicamos. Para minimizar as perdas de tração, o Civic conta com uma estrutura muito rígida, uma evoluída suspensão pilotada (a dianteira com pivot descentrado) e um diferencial autoblocante. As vias mais largas e os pneus 245/30 ZR 20″ completam o ramalhete e ajudam a colocar esta carga de cavalaria no chão. Obviamente que isto é uma visão muito simplista da coisa, já que explorar todo os elementos dinâmicos do Type R leva horas e milhares de bytes de texto. Mas o que importa reter é que o mais desportivo dos Civic continua a ser um dos mais impressionantes desportivos de tração dianteira do planeta.

A Honda sempre foi mestre na produção de motores, com muita experiência no campo da competição, em particular na F1. Não é isso assim de estranhar que este 2.0 i-VTEC seja uma verdadeira jóia rara. Apesar de recorrer a um turbo, o quatro cilindros continua a gritar a plenos pulmões muito para lá das 6500 rpm, fazendo lembrar alguns dos seus míticos antecessores com motores atmosféricos. Com a vantagem adicional de ter muito mais fôlego em médios e baixos regimes. A maneira como o Type R ganha ritmo a qualquer solicitação do acelerador é apaixonante e faz-nos querer mais e mais. Mais do que as prestações, que já de si são impressionantes, é mesmo a entrega deste motor que nos deixa viciados e que nos “obriga” a fazer uma vénia aos engenheiros japoneses que deram esta alma de atleta a tão musculado corpo.

Mas como diria o anúncio, “o poder não é nada se não o conseguirmos controlar” e o Type R, mais uma vez, dá uma lição convincente sobre o tema. Com três níveis de condução (Comfort, Sport e +R), o Civic consegue alternar entre um (relativamente) confortável familiar, espaçoso e com espaço para o cão, o gato e a sogra, e um demoníaco desportivo que fará os mais incautos rogar por um exorcismo. Aliás, a Honda dá logo o mote ao tornar o modo Sport o standard sempre que rodamos a chave, mas pressione o botão +R e este Civic transfigura-se e adota uma postura que não deixa dúvidas quanto à necessidade de tantos apêndices aerodinâmicos e de travões ainda mais potentes (uma das alterações para 2021 são, exatamente os travões maiores, especialmente atrás).

Daqui para a frente tudo se passa a um ritmo alucinante, obrigando o cérebro a trabalhos redobrados. O motor ganha um ímpeto que exige atenção e movimentos rápidos. Felizmente, como referimos, o resto do conjunto está à altura do desafio e o homem e a máquina trabalham em uníssono para manter este imenso poderio debaixo de olho e, mais importante, na estrada. Entretanto, é tirar o maior prazer possível desta máquina extraordinária e que muitas saudades irá deixar quando, finalmente, automóveis como estes passarem à história.

A este ritmo, os menos dados as estas correrias dão por bem vindos todos os auxiliares de condução disponíveis e os restantes passam a reconhecer as mais valias dos bancos desportivos tipo backet e de uma manete de caixa de curso curto e com um tato incrivelmente mecânico. Mais um “detalhe” delicioso e que contribui decisivamente para tornar este Civic Type R um caso sério de paixão à primeira vista. Não o acha especialmente bonito? Quem feio ama, bonito lhe parece e acredite que depois de conduzir este Honda vai ficar “apaixonado”. Aliás, o aspeto físico deixará rapidamente de ser uma questão, até porque ao volante nem repara no que está lá fora, tão concentrado que está em usufruir da “pilotagem” e a dar graças a Deus por ainda se fazerem automóveis assim…

Texto escrito por Rui Reis

Toyota RAV4
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