FRANSICO SÁ CARNEIRO: DESTEMIDO E DEMOCRÁTICO

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FRANSICO SÁ CARNEIRO: DESTEMIDO E DEMOCRÁTICO

40 anos depois da sua trágica e inexplicável morte, a New Men recorda um dos mais honrados políticos portugueses.

Um homem sem carácter incomoda muita gente. Um homem cheio de carácter desperta uma nação

Francisco Sá Carneiro nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934. Filho de pai advogado, Sá Carneiro ingressou no curso de Direito. Surpreendentemente, não em Coimbra onde muitos dos seus contemporâneos se licenciaram, mas na Universidade de Lisboa. Formou-se em 1956, aos 22 anos. Daí seguiu para um inicio de vida dedicado ao exercício da advocacia, estabelecendo o seu escritório no Porto.

Na década seguinte, com o país a fervilhar politicamente, Sá Carneiro desperta interesse pela política e ideais democráticos. Foi influenciado por optimistas como o filósofo e teólogo francês, Teilhard de Chardin (1881-1950) e um dos pais da “Democracia Cristã”, o filósofo e escritor Emmanuel Mounier (1905-1950).

Mais tarde, em finais dos anos 60 e já com Marcello Caetano como figura maior do Estado Novo, Francisco de Sá Carneiro dá um passo importante tomando uma posição forte no pedido de regresso a Portugal do bispo D. António Ferreira de Gomes à Diocese do Porto. Recorde-se que D. António foi ostracizado devido à suma incompatibilização com Salazar.

Em plena Primavera Marcelista, Sá Carneiro consegue lugar na Assembleia Nacional como cidadão independente eleito o que, directa ou indirectamente, o implicava na Ala Liberal da Assembleia Nacional.

Sá Carneiro idealizava uma transformação política profunda no país, propondo a revisão de várias leis que, suavemente, transformassem a ditadura que até então se vivia, numa clássica Democracia Ocidental. Uma das suas primeiras propostas nesse sentido foi a eleição para Presidente da República. Contrariando o modelo da época, propôs que esta fosse feita através de sufrágio directo e universal. Um ano depois, já na década de 70, propõem uma revisão constitucional que proponha a consagração de direitos, liberdades e garantias a todos os cidadãos da nação.

Já ao longe se via a revolução de Abril e Francisco Sá Carneiro, em conjunto com alguns amigos e intelectuais liberais seus contemporâneos, entre eles Mário Cal Brandão, Artur Santos Silva , António Macedo, Mário Montalvão Machado, conjecturava o que viria a ser o PPD.

Não demorou muito a ser oficial. Depois do 25 de Abril, em conjunto com Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, nasce o Partido Popular Democrático e Sá Carneiro assume o cargo de primeiro secretário-geral do partido que viria a consolidar o seu nome como Partido Social Democrata.

Nos anos que se seguiram, Francisco Sá Carneiro consegue o cargo de Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro Adelino Palma Carlos no I governo provisório. Contudo, em 1977 demite-se da presidência do PSD, embora tenha sido rapidamente reeleito.

Um ano antes de morrer, em 1979, o fundador do PSD criou a maior coligação governamental desde o 25 de Abril. A chamada Aliança Democrática incluída o partido liderado por Freitas do Amaral, CDS, o Partido Monárquico de Gonçalo Ribeiro-Telles e o Movimento dos Reformadores de António Barreto e Francisco Sousa Tavares. A Aliança Democrática foi um sucesso, tendo a coligação que contemplava sido vitorioso nas eleições legislativas desse ano. Sá Carneiro foi chamado a Primeiro-ministro para liderar o VI governo que tinha como presidente da república António Ramalho Eanes.

No entanto, a 4 de Dezembro, menos de um ano a exercer funções, Francisco Sá Carneiro morreu quando o avião em que seguia de despenhou em Camarate, Lisboa. Desde então, muito se tem falado e especulado acerca das circunstâncias e “coincidências” do acidente. No avião que se despenhou seguia também o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

Francisco Sá Carneiro, um homem com visão de futuro, pragmático e democrático inspirou uma geração de políticos. O ex-líder do PSD e ex-primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, contou numa entrevista à Revista Sábado que Sá Carneiro “era um homem firme e de convicções” que queria tratar de Portugal e “andar para a frente sem pieguices”. Já Paulo Portas, ex-líder do CDS-PP, confessou numa entrevista ao Observador que a figura de Francisco Sá Carneiro foi sempre uma inspiração. Tão grande que, em parte, foi daí que despertou interesse para a vida política.