FOI REALIZADO O PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO DE PORCO NUM SER HUMANO

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FOI REALIZADO O PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO DE PORCO NUM SER HUMANO

Uma equipa médica norte-americana transplantou um coração de porco geneticamente modificado num paciente humano que se encontra em condição estável, três dias após esta cirurgia inédita. 

Embora seja muito cedo para aferir se a operação terá sucesso, a iniciativa marca um passo na tentativa de décadas para conseguir usar órgãos de animais em transplantes que salvem vidas humanas. 

O transplante provou que um coração de um animal geneticamente modificado pode funcionar no corpo humano, sem rejeição imediata, segundo a equipa do Centro Médico da Universidade de Maryland 

David Bennett, de 57 anos, sabia que não havia garantias de que a experiência médica resultaria, mas estava em estado terminal, sendo inelegível para um transplante de coração humano e não tinha outra opção. “Era morrer ou fazer este transplante. Eu quero viver. Eu sei que é um tiro no escuro, mas é a minha última hipótese”, disse o doente, um dia antes da cirurgia, de acordo com um comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland. 

A cirurgia, realizada na passada sexta-feira, dia 7 de janeiro, demorou sete horas. Três dias após a cirurgia, Bennett estava a respirar autonomamente, enquanto ligado a uma máquina de auxílio cardíaco. As próximas semanas serão críticas. 

Há uma enorme escassez de órgãos humanos doados para transplante, o que levou os cientistas a tentar descobrir como usar órgãos de animais. No ano passado, houve pouco mais de 3800 transplantes de coração nos EUA, um número recorde, de acordo com a agência que supervisiona o sistema de transplantes do país. 

“Se isto funcionar, haverá um suprimento quase infinito destes órgãos para pacientes que estão em sofrimento”, explicou Muhammad Mohiuddin, diretor científico do programa de transplante de animais para humanos da Universidade de Maryland. 

Tentativas anteriores de xenotransplantes falharam, em grande parte porque os corpos dos pacientes rejeitaram rapidamente o órgão animal. Uma experiência com um coração de babuíno num bebé que estava prestes a morrer, em 1984, falhou ao fim de 21 dias. A diferença, desta vez, é que os cirurgiões de Maryland usaram um coração de um porco que passou por uma alteração genética para remover o açúcar nas suas células. 

A agência norte-americana de supervisão na área da Saúde, Food and Drug Administration (FDA), permitiu a cirurgia sob o a classificação de autorização de emergência “por compaixão”, aplicável quando um paciente com uma condição de risco de vida não tem outras opções. 

Em setembro passado, investigadores em Nova Iorque realizaram uma experiência nesta área médica, concluindo que este tipo de porcos pode ser promissor nos transplantes de animais para humanos. 

Bartley Griffith, o médico que realizou a operação, disse que a condição do paciente, insuficiência cardíaca e batimentos cardíacos irregulares, o tornava inelegível para um transplante de coração humano. O médico já tinha feito transplantes de corações de porco em cerca de 50 babuínos ao longo de cinco anos, antes de oferecer esta opção a Bennett. As válvulas cardíacas de porco também têm sido usadas com sucesso há décadas em humanos, e o próprio Bennett já tinha recebido uma há cerca de 10 anos.  

Texto escrito por Maria Ana Tojo

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