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FAZ HOJE 1 MÊS QUE ABRIU A ESTAÇÃO DE ARROIOS

Fonte: ECO Sapo

A New Men foi até à estação de Arroios perceber quais as principais mudanças desde a abertura.

“Este comboio já para em Arroios” foi a frase que marcou o dia dos passageiros há um mês atrás. Depois de quatro anos a sair na Alameda, ou nos Anjos, todos aqueles que utilizam os transportes públicos começaram a ter uma nova saída, embora há quem até se esqueça disso.

Na estação em si, pouca coisa mudou. As paredes estão agora mais coloridas, existem três elevadores de acesso, mas o essencial é o facto de facilitar e poupar tempo a muitos passageiros, que optavam por sair na estação anterior ou na seguinte e fazer o restante caminho a pé ou de autocarro.

Não há nada como falar com os passageiros para descobrir quais as principais mudanças e alterações nas rotinas de todos aqueles que costumam passar diariamente por Arroios. Uma zona central de Lisboa conhecida por unir a linha verde do metro. E foi por lá que a New Men passou esta manhã para descobrir as histórias que ficaram por contar.

Filipe Vieira mora na zona de Arroios e, por isso, a abertura da estação facilitou bastante a sua rotina. “Sendo que a minha casa é muito próxima daqui, retirou-me 10 minutos a pé”, conta. O mesmo reconhece que a instalação do elevador veio para facilitar a vida das pessoas com pouca mobilidade e aponta este como um ponto positivo da reforma. Por outro lado, o ponto negativo que realça é que as obras demoraram muito tempo a estarem concluídas e “isso não tem justificação para o volume das obras que foram feitas aqui”.

Em relação ao comércio, Filipe Vieira é da opinião que, apesar da estação ter estado fechada durante tempo, “a praça (do Chile) é uma zona muito movimentada, não acredito que tenha influenciado o comércio local”.

Os comerciantes também têm a sua opinião. A pandemia veio estagnar o comércio e muitos até tiveram que fechar as portas, pois não aguentaram a pressão económica. Embora a estação tenha reaberto, contrariamente ao que algumas pessoas pensam, as vendas não aumentaram e muitos foram os cafés que permaneceram encerrados.

Um funcionário do café Ribeirão Preto, que se encontra mesmo em frente a uma das saídas da estação de metro, contou à New Men que sentiu alguma diferença, “mas não muita. Isto está a normalizar lentamente”. Marcos Martins, dono da pastelaria Luso Americana, que se encontra a 100 metros da estação de Arroios, parece partilhar da mesma opinião relatando que mesmo após a reabertura da estação as coisas não mudaram assim tanto.

O comerciante também é um usuário do metro, porém, depois de tanto tempo a usar a estação da Alameda, ainda não se habituou à “presença” da estação de Arroios, embora a mesma se encontra entre a sua pastelaria e a estação da Alameda. “Após quatro anos a usar a estação da Alameda, eu esqueço-me e continuo a ir apanhar o metro na Alameda. E como eu, há muitos”, reconhece.

Todavia revela que ter o metro de Arroios a funcionar “dá muito jeito” – pelo menos, quando se lembra de usá-la. Em relação às mudanças da estação, é da opinião que “foram feitas a correr por causa das eleições e ficaram muito mal feitas”.

Apesar da opinião parecer quase unânime, ainda há quem note algumas diferenças na rua, mesmo que sejam poucas. O dono do café A Perreirinha do Chile, que se encontra perto de uma das entradas da estação do metro, sentiu que com a abertura da estação há mas movimento nas ruas. “Vê-se mais movimentação, a área está com outro aspeto e trouxe mais alegria para esta zona”, confessa.

A sair da carruagem, pronta para mais um dia, encontrámos Margarethe Santos que também reside no centro de Lisboa há uns bons anos e quando a New Men a interrogou no metro explicou que “esta estação é essencial para as pessoas que aqui trabalham e para circular aqui na região. Eu como trabalho aqui, tinha de descer na Alameda ou nos Anjos. Portanto, a abertura da mesma facilitou muito o dia-a-dia”.

Também há quem passe por lá para ir para o trabalho. No caso de Elsa Rodrigues, que trabalha na Avenida Afonso III, a abertura do metro de Arroios veio facilitar muito o seu dia-a-dia. “Eu saía na estação da Alameda e tinha de apanhar um autocarro para vir aqui para a Praça do Chile. Agora é mais fácil.”

Porém, Elsa não é a única a passar por esta situação. Durante os quatro anos em que a estação de Arroios esteve encerrada, Cecília Além, que mora na Praça do Chile, tinha de apanhar um autocarro que a levasse à estação da Alameda. Felizmente agora já vai poder sair e apanhar o metro mesmo à porta de casa. “Fez muita falta o metro aqui”, lamenta.

A mesma defende ainda que a ausência do metro afetou muito o comércio local: “As pessoas saem na estação da Alameda e já não veem comprar aqui”.

Ao longo da nossa viagem pela estação, ainda houve tempo para encontramos Maria Silva, que por trabalhar na zona de Arroios, está muito contente com a abertura da estação, embora seja da opinião de que “não está como as outras”. A mesma confessa que sentiu que a zona perdeu movimento enquanto a estação esteve fechada. “Com o metro fechado era difícil as pessoas virem aqui”, afirma.

A esperança é que daqui uns meses o comércio recupere, pois afinal o que seria de Lisboa sem os típicos cafés perto do metro? Há que admitir que fazem sempre falta, mais não seja quando passamos pela porta e sentimos o cheiro do café, enquanto ouvimos alguém a dizer “é uma bica, se faz favor”.

É bom voltar a ver pessoas a sair no metro de Arroios. Quatro anos e um mês depois podemos dizer que “este comboio para em Arroios” e vale a pena passar por lá, mais não seja para ouvir as histórias que nos contam.

Reportagem por Marta Laranjeira, Maria Ana Tojo e Yauri Neto