DESBRAVAR CAMINHOS

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DESBRAVAR CAMINHOS

O Karoq não tem pela frente uma tarefa fácil. Não só se posiciona num dos segmentos mais competitivos do mercado, o dos SUV médios, como enfrenta concorrentes com muito mais tarimba como o Peugeot 3008 ou o omnipresente Nissan Qashqai. Mas não pense por isso que o SUV da Skoda desiste sem dar luta. Para começar, esteticamente o Karoq parece-nos, apesar da subjetividade inerente a esta avaliação, muito atraente. As linhas não escondem a inspiração óbvia no Kodiak, mas as dimensões mais contidas (menos 150mm de comprimento) jogam a favor do Karoq que, especialmente neste nível Scoutline, aparenta um maior equilíbrio e um acrescido dinamismo.

Atenção que dimensões mais contidas não significam concessões no espaço habitável ou na capacidade da mala. Claro que o Karoq perde os sete lugares do seu irmão mais velho, mas face ao segmento em que se insere o Skoda coloca-se entre as referências. Aliás, no espaço para bagagens o Karoq está mesmo na dianteira. Com uma capacidade declarada de 521 litros, o SUV checo bate sem apelo nem agravo o Qashqai (430 litros), o primo Seat Ateca (510 litros) e, ainda que por uma margem pequena, o 3008 (520 litros). A este argumento podemos associar a tradicional preocupação da Skoda com a funcionalidade, não só no número de locais de arrumação, como em pequenos detalhes como os ganchos para prender os sacos das compras.

Num habitáculo muitíssimo bem equipado, com uma qualidade de construção ao nível do que os automóveis do grupo VW nos habituaram e uma ergonomia sem falhas evidentes, a habitabilidade é outro dos trunfos do Karoq, que conta com cinco verdadeiros lugares e espaço para três adultos na traseira sem grandes “guerras” de cotovelos.

Tirando partido da excelente posição de condução, o condutor usufrui de uma boa visibilidade e de inúmeros auxiliares de condução e conforto. No entanto a figura de cartaz para quem se senta aos comandos do Karoq Scoutline é mesmo o motor 2.0 TDI com 150 cv de potência e uns imensos 340 Nm de binário. Refinado e possante, é capaz de levar o SUV da Skoda até aos 206 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 9 segundos. E isto com consumos anunciados de 4,7 l/100 km.

Embora, para sermos rigorosos, tenhamos de acrescentar que as médias que alcançámos nunca foram tão comedidas, rondando os 6 l/100 km numa toada normal e baixando para os 5,7 l/100 km no modo Eco. Ainda assim, são cifras muito competitivas para um motor com este nível de potência.

Apesar da inegável vocação aventureira e da inspiração offroad desta versão de topo Scoutline, o Karoq só dispõe de tração dianteira e conta com pneus 100% estradistas. A maior altura ao solo (183 mm) e o eficaz sistema de controlo de tração (existe um modo de condução offroad) garantem o desembaraço em algumas incursões fora de estrada, mas não convém abusar da sorte. Há situações em que nem o enérgico 2.0 TDI e a bem escalonada caixa de seis velocidades ajudam a livrar-nos dos apuros.

Em estrada, o Karoq é outra boa surpresa, com uma boa relação conforto/comportamento. As jantes de 18”, exclusivas desta versão, servem um propósito estético, mas sem nunca comprometerem o refinamento, e o acerto da suspensão e eficaz controlo de movimentos de carroçaria permitem ao 2.0 TDI brilhar novamente.

Mas com um motor 2.0 TDI, tantas qualidades dinâmicas, um nível de equipamento sumptuoso e uma tão grande variedade de soluções de segurança ativa e passiva, o Karoq Scoutline custa uma fortuna? Por 34 000€ pode parecer muito dinheiro para um Skoda, mas isso é apenas uma réstia de preconceito a “falar”. Na verdade, este valor é muito apelativo tendo em atenção os atributos que referimos anteriormente e uma lista de equipamento que não deixa muito lugar à imaginação. Ah! E ainda conta com a oferta de quatro anos de manutenção ou 80 000 kms.  

Este artigo foi escrito por Rui Reis