BRUNO NOGUEIRA: “JÁ HOUVE DIAS EM QUE NÃO ME APETECIA NADA SUBIR AO PALCO”

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BRUNO NOGUEIRA: “JÁ HOUVE DIAS EM QUE NÃO ME APETECIA NADA SUBIR AO PALCO”

Fonte: Força de Produção

O humorista esteve à conversa com a New Men onde falou sobre a noite histórica em que terminou a digressão de “Depois do Medo”, “Como é Que o Bicho Mexe” e os Globos de Ouro.

Foi a 14 de fevereiro de 2020 que Bruno Nogueira subiu ao palco do Altice Arena para apresentar “Depois do Medo” a 14 mil pessoas. Depois de uma pausa de dez anos, o espetáculo marcou o regresso do humorista ao stand-up e deixou-o com vontade de mais.

“Não tenho nada marcado para anunciar, mas depois de fazer este espetáculo, fiquei com muita vontade de voltar a fazer stand-up”, afirmou o humorista.

Para o artista, apesar de ter sido uma noite de muito orgulho, também foi de grande responsabilidade, pois “se correr alguma coisa mal, não há como dizer às pessoas para voltarem amanhã porque vai correr melhor”.

Orgulhoso do seu trabalho, o humorista decidiu deixar o espetáculo eternizado, tendo este sido gravado e agora ficará disponível nos cinemas.

“Acho que é uma experiência como outra qualquer, não me lembro de ter visto standup no cinema. As pessoas também têm de estar a olhar para frente, têm de estar concentradas nisto, não há distrações, o ecrã é grande é imersivo, portanto dá quase a sensação de que se está a participar naquela noite. Foi uma noite muito feliz para mim, portanto queria partilhá-la com mais pessoas que não puderam estar naquele dia”, expõe.

Fonte: Força de Produção

Durante o último confinamento, entre março a maio, Bruno Nogueira entrou na casa de milhares de portugueses através da sua conta de Intagram, onde deu a conhecer “Como é Que o Bicho Mexe?”. Os diretos diários, que fizeram os usuários celebrarem o Natal em plena primavera, teve a participação de várias caras conhecidas, entre elas, João Manzarra, Albano Jerónimo, Nelson Évora, Eunice Muñoz e Cristiano Ronaldo.

Segundo o humorista, o talk-show surgiu como resposta ao aborrecimento, medo e pânico, resultantes do período sombrio causado pela pandemia. Apesar de um dos objetivos ter sido criar um meio de distração para o próprio, serviu também para despertar a sua criatividade. O artista explicou também que não estava à espera que o programa tivesse a repercussão que teve.

“O meu objetivo era poder beber vinho com uma justificação, com adultos e manter-me ativo criativamente. Senti que o músculo da criatividade estava a ficar congelado. Entretanto, as pessoas foram-se identificando, foram fazendo o ritual delas, mas isso não foi decisão minha, não era o meu objetivo de todo”, explica.

Apesar do sucesso, trazer o “Bicho” de volta não está nos planos do artista, que defende que se o mesmo acontecesse seria um indicador de que as coisas não estão bem.

“Eu acho que se voltar é muito mau sinal porque aquilo nasce numa altura de medo, incerteza, tristeza, e acho que hoje em dia estamos só na zona do cansaço. Aquilo que tornava aquelas noites especiais é o facto de que estávamos todos um bocadinho apavorados e a aprender a lidar com isto. Agora já aprendemos mais ou menos a lidar com isto e estamos só fartos”, expõe. O mesmo refere ainda que o talk-show será para sempre uma memória bonita, e que embora nunca diga não a nada, “não sinto necessidade de mexer nessa memória”.

Ainda que não voltemos a ver o “Bicho”, os diretos noturnos contribuíram fortemente para que o humorista se destacasse na 25ª edição dos Globos de Ouro. Na cerimónia que decorreu a 3 de outubro, Bruno Nogueira recebeu o prémio de “Personalidade Digital do Ano”.

“Eu seria falso modesto se dissesse que não estava à espera de ganhar. Com o “Bicho” acho que estava à espera de ganhar”, confessa.

O artista defende ainda que embora seja uma distinção “simpática”, a mesma não faz um artista ser melhor ou pior.

“Eu não acho que um prémio faça um artista melhor ou pior. Não conheço ninguém que tenha ficado melhor artista por ganhar um prémio. Também não conheço nenhum escritor, pintor ou ator que tenha ficado pior por não ter ganhado um prémio. Acho que é muito simpático receber, mas é só uma questão de ego. Não é uma questão propriamente artística”, refere.

Embora seja sempre confiante com o seu trabalho, Bruno confessa que nem sempre é um bom dia para subir ao palco, porém quando está em cima de um, nada mais o afeta.

“Já houve dias em que não me apetecia nada subir ao palco, ou porque estava cansado fisicamente ou porque estava triste por uma questão ou outra, ou estava preocupado porque alguém estava doente. Depois há uma coisa fascinante que acontece quando se está em palco, [é como se tomássemos] uma injeção de adrenalina, e parece que tudo fica resolvido”.

Será nos dias 14, 15 e 16 de janeiro que o espetáculo “Depois do Medo” chegará às salas dos Cinemas NOS para poder ser visto ou revisto, de acordo com o mesmo, “para o caso de não terem amor-próprio”.

Texto escrito por Yauri Neto

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