AS NOITES PASSAM A TER GLITTER E AS PESSOAS FÉ DE QUE ESTE É O INÍCIO DO FIM DA PANDEMIA

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AS NOITES PASSAM A TER GLITTER E AS PESSOAS FÉ DE QUE ESTE É O INÍCIO DO FIM DA PANDEMIA

Desde produtores de eventos a dj’s, a abertura das discotecas e bares é recebida com grande alegria.

As luzes coloridas, o som a sair das colunas que causam trepidação nos ouvidos, as pessoas com as mãos no ar, os dj’s a franzir as sobrancelhas enquanto fazem as passagens… Ah, discotecas! Há quanto tempo não ouvíamos falar delas? Ou, pelo menos, das histórias que elas escondem. Chegou finalmente o dia D – a abertura dos espaços noturnos.

Terminou a espera. Sim, não foi fácil. Se houve setor que a pandemia não teve piedade foi este. O medo instalou-se no país e as portas fecharam-se, bem como as janelas de oportunidade. Muitos foram os profissionais que se viram fechados em casa, sem sustento, com receio de ter que abandonar a sua paixão para pôr o pão na mesa. Pode parecer dramático, mas a situação extrema assim o exigiu. Uma mudança de rumo sem direito a opção. No entanto, após quase dois anos, o regresso à normalidade parece ser cada vez mais real.

Os espaços noturnos voltam a abrir portas, as máscaras caem e as festas já começam a ser anunciadas nas redes sociais. É hora de brilhar nas pistas de dança, mas há quem ainda tenha receio de soltar-se e voltar aos encontrões da noite, ajuntamentos e troca de copos, que infelizmente, ainda é bastante comum.

As discotecas enfrentam agora um grande desafio – provar que são seguras. É de conhecimento geral que para entrar no espaço é necessário a apresentação do certificado digital válido, mas ainda há quem se questione sobre a total prevenção de novos surtos de covid-19.

O recomeço dos eventos

Leonardo Santos, mais conhecido por BonBoxx é produtor de eventos há alguns anos. Natural do Brasil, mas a maioria do seu percurso foi feito em Portugal. Além de organizar eventos também toca como dj. No início da pandemia rapidamente se viu de mãos e pés atados assim que tudo fechou. À luz da época, Leonardo teve que procurar soluções e abraçar novos desafios. “O começo da pandemia foi bem complicado, tínhamos basicamente o ano de 2020 todo completo com artistas brasileiros vindo para a europa pela primeira vez e de repente vimos tudo isso cancelado e sem previsão de volta! No nosso principal evento, a Deu Bass, nós tivemos o último no Mome com um dos melhores Djs do Brasil, o KVSH, exatamente no último fim de semana de casas abertas então resolvemos esperar e não alimentar muito o público com falsas esperanças. Mas ainda assim, fizemos livestreamings, adaptamos-nos aos novos formatos de eventos e apostamos muito nos sunsets”, recorda Leonardo.

Em busca de soluções, sem querer baixar os braços, Leonardo resolveu inovar e pensar “em termos de alternativas de atividades”. O organizador conta que “aproveitamos os nossos conhecimentos em design, motion design e marketing para passar a atender clientes externos aos nossos eventos, então agora também temos uma agência de marketing, a Boxx Agency assim nossos rendimentos não ficaram zerados mesmo sofrendo uma quebra muito grande”.

Nestas aberturas é certo que não pode faltar “a responsabilidade de seguir todo o protocolo sanitário e de segurança, para que retrocessos não ocorram e fiquemos mais tempo sem funcionar. Porém para nós é sempre importante também trazer momentos marcantes e promover uma experiência boa ao público, que com certeza está sedento por diversão e por poder socializar/dançar junto aos seus amigos! Pensando nisso, para nosso primeiro evento oficial, não só um mas três dos maiores Djs do Brasil! Bhaskar (irmão do Alok), Daft Hill e Zuffo”.

As expectativas são altas em relação a este regresso e Leonardo dá conta que “liberamos um lote promocional para o próximo evento que se encerrou em menos de uma hora”. Acima de tudo também garante que “o que pode ser feito é garantirmos todas as normas estabelecidas e automaticamente com o tempo (e sem novas ondas de Covid-19) o público mais inseguro vai ter a confiança para frequentar os eventos”.

Mais festas, iniciativas e surpresas

É assim que começa o início da normalidade, mas afinal o que acontece aos espaços que abriram para colmatar a falta de animação por Lisboa? O Monsanto Open Air foi sem dúvida um fenómeno que voltou a trazer a música e a festa (feita ao ar livre) de volta à capital.

Um ambiente seguro, ideal para recomeçar a vida noturna, mas agora com a abertura das discotecas, o que acontece a estas festas? Hugo Ferreira, fundador do Monsantos, afirma que este “é um restaurante com conceitos de animação, diferente do que se praticava nos espaços que referem. Surgiu com três pilares: cultura, gastronomia e natureza, num conceito único do que já existia”. Numa época em que as festas só eram permitidas ao ar livre, Hugo recorda que “apoiámos mais de 50 bandas e artistas durante os últimos cinco meses, que estavam paradas há um ano, trabalhadores da área dos eventos que não tiveram grandes apoios sociais, funcionários e fornecedores”.

“A nossa visão e atendendo ao feedback dos nossos clientes e parceiros é que o sucesso que tivemos durante o último ano se vai manter exatamente por ser um espaço diferente”, conclui, acrescentando ainda que com as novas medidas “vai ser possível, felizmente aumentar a capacidade do espaço mas mantendo sempre a qualidade e segurança a que habituamos os nossos clientes”.

Além de Monsanto, Hugo também é o responsável pelas melhores noites no dia 31 de dezembro. O Royal Palace é a festa de eleição de todos aqueles que não dispensam entrar no ano seguinte com o pé direito, copo de champanhe e boa disposição. Embora a situação pandémica seja incerta, o organizador confessa que “está confirmada a edição de 2021 do Royal Palace no Pavilhão Carlos Lopes”.

“Tanto a nossa organização, como o Turismo de Lisboa e o Pavilhão Carlos Lopes acreditam na eficácia do processo de vacinação e na retoma dos grandes eventos. Este ponto para nós é o mais importante, retomar a normalidade que existia. Para este ano temos um cartaz de luxo com muitas novidades”, conta Hugo, acreditando que tem todos os motivos para se manter positivo.

É certo que também já se pensaram em algumas surpresas. “Pensamos acima de tudo no processo longo e doloroso para as pessoas no último ano e meio. Queremos criar uma noite especial, com momentos especiais durante o evento. Durante os próximos meses vamos revelar algumas das novidades que temos preparadas”, admite.

Em tempos de pandemia foram iniciativas como as do Monsantos que fizeram a diferença, mas há ainda mais histórias para serem escritas, momentos para ser vividos e Hugo Ferreira faz parte do grupo de pessoas que está a preparar as novas aventuras e festas que não vai querer perder.

A noite volta a ganhar vida

André Antunes, muitas vezes identificado como o AoQuadrado, também tem um ponto a acrescentar a esta história. Habituado a trabalhar em grandes eventos, onde os palcos estão cheios e as pessoas preenchem qualquer canto vazio do recinto, o fotógrafo não esconde a tristeza que foi viver o confinamento.  “Foi como se nos tivessem cortado a luz em casa. Na altura, nós estávamos a acompanhar as notícias e entendemos logo que a proporção da situação não ia ser nada pequena. Ainda assim, tivemos automaticamente a pré-disponibilidade de, todos em conjunto com as produtoras e os estabelecimentos, de sermos os primeiros a fechar. No entanto, nunca pensámos que durante tanto tempo fossemos dos mais afetados em termos psicológicos e económicos, como aconteceu”, relata André.

Este regresso será certamente mágico. É o momento de voltar a captar sorrisos sem estarem “mascarados” e momentos felizes. Num evento há emoções… Há amizades, pessoas felizes e tristes, situações boas e más, há um show, há artistas”, conta.

André assegura os primeiros retratos deste regresso à vida noturna e tem a certeza que mais tarde serão boas memórias. ”Tendo em conta que é notório, de um modo global, o alívio de se ter, finalmente, as portas abertas sem restrições, eu acho que, depois de tudo isto, as pessoas se vão mostrar mais felizes e, consequentemente, vamos ver retratados muitos mais sorrisos e momentos bonitos”, conclui André.

Com a chegada do dia D, as camisolas brilhantes, as calças pretas e não só começam a sair do armário. Falta ainda tirar os receios do bolso e dar o primeiro passo com aqueles sapatos que comprou no confinamento, mas nunca chegou a estrear. Leve ainda consigo a máscara, caso seja necessário, certamente não roubará muito espaço da mala ou do bolso do casaco.

É importante ter presente a ideia de que embora já não hajam medidas obrigatórias, deve partir de cada um de nós, a responsabilidade de ter alguns cuidados. Tornar as discotecas e os bares seguros é um trabalho conjunto, quer seja para os profissionais recuperarem os seus lugares, como para voltar a animar as noites em todo o país.

Hoje acima de tudo há quem veja na aberturas das portas, uma mensagem de esperança, que poderá marcar o início do fim da pandemia. Ou pelo menos, assim o esperamos.

Texto escrito por Marta Pereira Laranjeira