APOSTA ONLINE PODE PREJUDICAR A SUA SAÚDE E A DOS QUE O RODEIAM

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APOSTA ONLINE PODE PREJUDICAR A SUA SAÚDE E A DOS QUE O RODEIAM

Fumar mata. Jogar online não”. Quem faz as regras da vida comunitária pensa deste modo.

“Este produto do tabaco prejudica a sua saúde e cria dependência”. Assim se pode ler em letras bem estampadas no maço de tabaco aquecido. É mau e desagradável para quem o fuma. Mas é também a mais pura das verdades. Nos maços de tabaco comuns, a mensagem alarmante vai mais longe e é, de há uns anos para cá, acompanhada de várias imagens horrorosas e extremamente desagradáveis. A ideia é simples. Mostrar que a pessoa, embora (e felizmente) livre, não ganha nada em fumar. Aliás só perde e só “prejudica a sua saúde e a dos que o rodeiam”.

Mas não são só os fumadores que têm a perder. Numa objetividade distinta, os entusiastas do jogo e das apostas online também têm muito a perder. Obviamente que uns mais do que outros, mas por vezes as perdas tem consequências inimagináveis. Já aconteceu e acontece. Falência, miséria e relações destruídas. Quantos males pode a aposta, ou o jogo online, trazer?

Há cerca de duas semanas, no seu comentário habitual à segunda-feira na TVI, o comentador político e escritor, Miguel Sousa Tavares, alertou para os perigos do jogo online e para a falta de sensibilização e consciencialização das consequências da prática.

E eu concordo.

O número de jogadores online aumentou significativamente durante a pandemia. O que faz sentido. As pessoas passam mais tempo em casa e escolhem entreter-se com qualquer coisa. Se o entretenimento se alinhar a umas coroas a mais no fim do mês, tanto melhor. E com o bombardeamento constante de publicidade às “casas” de apostas online, torna-se mais difícil para os mais desesperados não ceder ao “sonho” que estas vendem.

Na minha opinião, a estratégia de marketing das grandes “casas” de aposta online tem sido obscena.

Nos autocarros, no Youtube, nos meios de comunicação digital e na televisão. A qualquer hora, em qualquer intervalo. É desonesto porque as pessoas estão vulneráveis. E é incrível que, durante este tempo de confinamento, não se tenha posto um travão a tamanho aproveitamento social.

Toda a situação se torna mais vergonhosa quando, para além de uma despreocupação generalizada sobre o tema, é o próprio governo que até vem sugerir e incentivar o jogo através de uma raspadinha. Mas não é uma raspadinha qualquer, é uma que alimenta a cultura, sector que Costa e os seus ministros e amigos tanto “consideram”.

É muito mau. Até porque, como disse Miguel Sousa Tavares, são normalmente as pessoas de estrato social mais baixo que têm maior queda para a raspadinha. Então, é quase como dizer: “vamos incentivar os mais pobres a ficarem ainda mais pobres enquanto alimentam um sector pobre que nós tornámos ainda mais pobre”.

Aposta online que contribua para a Santa Casa da Misericórdia, casino online e raspadinha. Cada um joga no que quer porque as pessoas devem ser livres. Mas se há uma preocupação maior do Estado em alertar as pessoas para os perigos de certos hábitos, que não haja exceções.

Este artigo foi escrito por Bernardo Mascarenhas de Lemos