ADECCO APRESENTA SEIS TENDÊNCIAS QUE IRÃO MOLDAR O MERCADO DE TRABALHO EM 2022

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ADECCO APRESENTA SEIS TENDÊNCIAS QUE IRÃO MOLDAR O MERCADO DE TRABALHO EM 2022

A empresa acredita que apesar dos desafios e incertezas, 2022 será o ano da consolidação de um novo paradigma do mercado de trabalho que veio para ficar.

Segundo a Adecco Portugal, 2022 é o ano da grande reavaliação dos profissionais, dos contratos de trabalho rumo à flexibilidade, enquadrados por nova legislação, e do impacto sistémico da pandemia no mercado, política, regulamentação e transição digital.

Neste início de 2022, a empresa de gestão de recursos humanos apresenta as seis tendências que irão moldar o mercado de trabalho este ano e que vão marcar o mercado nacional.

1 – Escassez de talentos

A escassez de talentos surge como o maior desafio no mercado de trabalho em 2022. Segundo a Adecco, as razões são inúmeras e prendem-se com tendências que já se desenhavam no período pré-pandemia, como a crescente automatização de funções e digitalização, a transição para uma economia verde, a importância do ensino superior em substituição dos percursos formativos intermédios/profissionais e o desfasamento entre os modelos educativos e as necessidades reais do mercado de trabalho.

De acordo com a análise feita pela empresa, os últimos 24 meses vieram agravar o problema: os países que fecharam as fronteiras dificultaram a mobilidade dos talentos; muitos países viram um número desproporcionalmente elevado de trabalhadores a optar pela reforma antecipada. Também não pode ficar de fora o próprio vírus que impactou a escassez de talentos, ao afetar a saúde e a capacidade das pessoas ou a sua vontade de regressar ao local de trabalho. Esta é uma das razões pelas quais a força de trabalho híbrida casa/escritório veio para ficar em 2022 e também para o futuro.

A cadeia de abastecimento e a crise de escassez de talentos terão também impacto nas perspetivas económicas em 2022. A recuperação global continua, mas de acordo com as últimas Perspetivas Económicas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a sua dinâmica tem abrandado e está a tornar-se cada vez mais desequilibrada. Esta prevê uma recuperação do crescimento económico global para 4,5% em 2022, antes de se fixar em 3,2% em 2023.

Fonte: Instituto Brasileiro do Coaching

O Grupo Adecco alerta para que os países invistam rapidamente em esforços de qualificação e requalificação, para evitar um aumento a longo prazo do desemprego. A empresa refere ainda que, uma vez que Portugal se encontra na cauda da Europa em termos de crescimento económico, este tem o desafio acrescido de eleições e de como um novo governo poderá ser determinante para a visão de um mercado de trabalho que é, no mínimo, desafiante.

2 – Transição para a economia verde

De acordo com a empresa líder em consultoria de talento e soluções de Recursos Humanos, a sustentabilidade é um conceito do presente, que ultrapassa a discussão de elites e que terá que migrar para a economia real.   “Em 2021, muito se falou das competências ecológicas, mas não se conseguiu abordar de forma abrangente como fazer essa transição acontecer de uma forma justa para as pessoas. A maioria dos compromissos assumidos negligenciaram a abordagem do ‘como’, para além do financiamento”.

É necessário adotar uma abordagem centrada no ser humano para a mitigação e adaptação às alterações climáticas e dar prioridade aos investimentos nas pessoas para assegurar que a transição verde que se avizinha seja justa e inclusiva.

Para a Adecco o primeiro passo para os empregadores deve ser a elaboração de uma estratégia coesa de talentos. Isto começa com a avaliação das competências de que cada organização necessitará nos próximos dois a cinco anos. Por exemplo, o Grupo Adecco está a apoiar os principais atores da indústria automóvel a melhorar e requalificar trabalhadores, desde especialistas em mecânica a engenheiros de software, para melhor preparar as organizações para a revolução elétrica.

3 – Transformação digital e trabalho híbrido

A empresa identifica duas partes fundamentais para uma transformação digital bem-sucedida. A primeira é a transformação das indústrias e empresas e o seu efeito nas competências (por exemplo, olhando para a produção e fabrico). A segunda é o impacto que a digitalização tem na cultura de uma organização (por exemplo: recrutamento digital e remoto, integração na empresa – onboarding e liderança).

Todas as organizações irão tornar-se ‘indústrias inteligentes’ e as transformações digitais estão a afetar as empresas transversalmente, independentemente do setor de atividade ou dimensão, sendo certo que nem todos os setores têm hoje o mesmo grau de maturidade digital, pelo que os desafios dos passos a dar podem ser diferenciados.

A Adecco reforça que não se trata apenas de construir as ferramentas, tecnologia e infraestruturas certas para facilitar esta transformação, pois sem pessoas com as competências adequadas para as compreender, gerir e operacionalizar serão apenas um investimento inconsequente.

Fonte: Instituto Brasileiros do Coaching

Os líderes e responsáveis de recrutamento (Recursos Humanos – RH) irão desempenhar um papel crucial nas organizações que se preparam para o futuro, no contexto do qual é necessário definir as competências necessárias para o sucesso da digitalização. Estudos demonstram que 68% dos líderes de RH não têm atualmente uma estratégia para o futuro do trabalho, embora os profissionais desejam-na. O estudo do Grupo Adecco ‘Resetting normal: defining the new era of work/2021’, com 15 mil respondentes em 25 países, revelou que 66% dos trabalhadores acreditam que precisam de adquirir novas competências para manterem o seu potencial de empregabilidade nos próximos anos. Por outro lado, apenas 37% dos funcionários sentem que a sua empresa está a investir nas suas competências e desenvolvimento de carreira.

O novo paradigma de trabalho, marcado pela flexibilidade de horários e repartição do tempo entre trabalho remoto e presencial, continuará a ser um desafio para muitos líderes. Para a Adecco é certo que não vai haver um regresso ao passado: a mudança para ambientes de trabalho mais flexíveis e híbridos é um dado do presente e do futuro. Com as políticas adequadas em vigor para apoiar a transição para o trabalho flexível, a sua implementação a longo prazo irá impulsionar a produtividade, promover um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, e abrir novas bolhas de talento, que ajudarão a resolver a questão da escassez que se sente no mercado. O Grupo afirma que é crucial acompanhar a transição digital e a mudança para modelos de trabalho flexíveis para torná-la inclusiva, justa e lucrativa, pois trata-se de envolver a organização como um todo.

4 – Problemas de retenção de talentos

De acordo com a Adecco, a relação entre as empresas e as suas pessoas está a sofrer uma mudança radical. Muitos profissionais estão a repensar o que é importante na sua vida profissional, o que em alguns países (como os EUA) está a levar a que as pessoas deixem os seus empregos em números recorde, conforme revelou o estudo referido, e esta é uma tendência que se está a alargar a muitos países. Pela primeira vez em anos, os profissionais têm vantagem face aos empregadores.

E é nesse sentido que a Adecco verifica que este fenómeno acentuou o problema da escassez de talentos. Antes da pandemia, era uma realidade devida ao envelhecimento da força de trabalho, ao desajustamento de competências e a outros fatores, como limitações à mobilidade laboral.

Porém a tendência agravou-se e a retenção de talentos não se resolve com “simples bónus ou prémios salariais”. Há uma desconexão real entre os profissionais e os seus líderes; muitas pessoas sentem-se desencantadas com as suas posições e perspetivas de carreira, tal como revelou o estudo ‘Resetting normal: defining the new era of work/2021′.

Fonte: Tactium Blog

Tendo isso em conta, o Grupo Adecco constata que 2022 será o ano do poder dos profissionais no local de trabalho. As empresas terão de dar prioridade ao desenvolvimento da carreira dos seus funcionários através de ações de upskilling e reskilling, permitindo horários flexíveis e modelos híbridos de trabalho. Do mesmo modo, os cuidados de saúde e o bem-estar ocuparão um lugar central no mundo do trabalho, uma vez que os profissionais exigem mais, e melhores benefícios, bem como um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Isto é o que a Adecco chama de “empatia empresarial”, que consiste em que líderes e empregadores terão que ouvir e compreender as necessidades das suas pessoas se quiserem proporcionar-lhes oportunidades e um sentido de propósito. “Esta será a chave-mestra da estratégia para a retenção de talentos em 2022”.

5 – Equidade e proteção social

De acordo com a empresa líder em consultoria de talento e soluções de Recursos Humanos, na esteira da pandemia, a inclusão, a equidade e a igualdade crescem em importância para as pessoas. Igualdade significa que a todos são atribuídos os mesmos recursos ou oportunidades, mas não tem em conta os seus diferentes pontos de partida, necessidades e circunstâncias. “E é este conceito que terá que mudar”.

É preciso esclarecer que cada profissional tem contextos diferentes, enquadramentos culturais distintos e os líderes terão necessidade de distribuir recursos e oportunidades específicas para alcançar resultados globais positivos e igualitários. Ou seja, a igualdade e inclusão requer que se atribua às pessoas recursos à medida. A Adecco dá como exemplo a situação das mulheres no mercado de trabalho em que o impacto da pandemia foi absolutamente desproporcionado. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, menos mulheres do que homens, que perderam o seu trabalho durante a pandemia, irão recuperar o emprego no período pós-Covid-19.

Fonte: Catho

“A pandemia expôs de forma evidente e dura que nem todos os profissionais têm acesso igual a proteção social. Como sociedade, é essencial assegurar melhor o acesso à proteção social, especialmente aos profissionais informais e independentes”. 

O Grupo também esclarece que a desigualdade e a inclusão também se referem às diferenças entre profissionais que trabalham em regime presencial e remoto, e que esta é uma questão que terá de ser necessariamente antecipada e abordada rumo à igualdade.

6 – Transparência e responsabilização da liderança

O Grupo Adecco é da opinião que a empatia empresarial desempenhará um papel importante no contexto do novo paradigma de trabalho. Acredita-se que os líderes terão que compreender necessariamente melhor as suas pessoas e equipas, mostrarem compaixão pelos seus funcionários, assim como terão de cessar promessas vazias.

“Neste início de 2022, os líderes têm que ter a noção que as boas intenções podem comprometer a sua organização se não forem suportadas por ações concretas e em harmonia com o que o mercado de trabalho clama no contexto de um novo paradigma”.

Texto escrito por New Men

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